Há 15 anos: São Paulo escapava do Caldeirão

Atlético, São Paulo

Rubro-negro não pôde usar o Caldeirão (divulgação)
Atlético precisou mandar jogo no Beira Rio (divulgação)

A final da Libertadores de 2005 seria entre Atlético x São Paulo. O problema, agora, era garantir que o Furacão teria total apoio de sua torcida. A Conmebol exigia capacidade de, no mínimo, 40 mil lugares para os estádios que receberiam os jogos das finais. Começava a briga nos bastidores.

 

Os planos

De acordo com a Gazeta do Povo, três possibilidades para o jogo de ida eram estudadas pelo Atlético: A realização da partida na Arena da Baixada, no Couto Pereira ou no Beira-Rio.

 

No caso da Arena da Baixada, a estratégia seria argumentar com a Conmebol que a capacidade para um público de pouco mais de 20 mil torcedores era para se adequar as leis locais, garantindo a segurança das pessoas. Outra carta na manga seria argumentar que na Alemanha, sede da Copa das Confederações de 2005 e da Copa do Mundo de 2006, haviam estádios para públicos menores que 40 mil torcedores.

 

Mas, caso não desse certo, o plano B seria o Couto Pereira. O presidente do Coritiba na época, Giovani Gionédis, não queria ceder o Couto para aquela partida. Porém, a diretoria atleticana e a Federação Paranaense de Futebol (FPF) confiavam que mesmo uma imposição da Conmebol não tiraria o duelo de Curitiba.

 

Se o plano do Couto Pereira não funcionasse, aí não teria jeito, e o Atlético seria obrigado a mandar seu jogo no Beira-Rio, em Porto Alegre. Havia até uma ideia de receber o confronto no Morumbi, caso o River Plate fosse para a final, e não o São Paulo, o que não ocorreu.

 

Corrida contra o tempo

Mal havia soado o apito final em Guadalajara para que o plano de receber a final da Arena fosse posto em prática não só nas argumentações, mas na adequação do estádio. A partir da madrugada de sexta-feira (01/07), cerca de 200 operários se alternavam na construção de arquibancadas tubulares para aumentar a capacidade da Arena.

Arquibancadas tubulares na Arena (divulgação/Furacao.com)
construção das arquibancadas tubulares na Arena da Baixada (divulgação/Furacao.com)

Essas arquibancadas foram construídas no local onde estava o muro de um colégio vizinho. De acordo com o Globoesporte.com, as obras foram finalizadas na manhã de segunda-feira (04/07), 22 horas antes do previsto. A capacidade foi aumentada em 16 mil lugares, para 41.327 torcedores.

 

Ainda segundo o Globo Esporte, o Atlético tinha conseguido a aprovação da Federação Paranaense de Futebol, Corpo de Bombeiros, CREA (Conselho Regional de Engenharia e arquitetura) e da Prefeitura de Curitiba.

Cumprindo com a exigência de 60 horas, o Atlético pediu à CBF que notificasse a Conmebol de que a Arena da Baixada estava apta a receber a final. Mas a entidade máxima do futebol sul-americano negou os apelos do Atlético, e determinou no mesmo dia que o jogo de ida seria no Beira Rio.

 

O rubro-negro ainda tentou argumentar que, em caso de uma final em Porto Alegre, as chances de confrontos entre as torcidas na estrada seriam grandes. Mas o Secretário Executivo da Conmebol, Francisco Figueredo, confirmou o jogo longe de Curitiba, alegando que o Atlético teria concordado com as regras do torneio ao aceitar participar dele.

 

Curiosamente, de acordo com a Folha de S.Paulo,, o então presidente da CBF Nabi Abi Chedid já havia confirmado a final para o Beira-Rio no dia 2 de julho, sábado, em entrevista à Rádio Jovem Pan.

 

A Folha ainda fez questão de ressaltar, em uma matéria assinada por Eduardo Arruda e Eduardo Ohata sob o título “Jeitinho Impera na final da Libertadores”, que as arquibancadas tubulares não seriam recomendadas pela FIFA.

 

O presidente do São Paulo na época, Portugal Gouvêa, não deixou de dar seu pitaco. “É uma loucura, uma insanidade querer construir 17 mil lugares em três dias. Espero que o bom-censo continue prevalecendo. Política nada tem haver com o esporte”.

o então presidente do São Paulo, Portugal Gouvêa (divulgação)
o então presidente do São Paulo, Portugal Gouvêa (divulgação)

Repercussões

De acordo com João Augusto Fleury, presidente do Atlético, o clube teria perdido cerca de R$2 milhões nas obras, e teria feito um acordo de R$3 milhões para derrubar o muro do colégio ao lado que impedia a ampliação de capacidade.

 

“Há a receita que não vamos ter lá, a perda de parceiros na publicidade e um prejuízo de imagem. Isso não vai ficar assim”, reclamou Fleury à época. “Quem está por trás disso é o São Paulo. Agora que pela primeira vez tem um time que pode jogar em qualquer lugar”, completou em tom de ironia o presidente atleticano.

Augusto Fleurry (divulgação)
Augusto Fleurry (divulgação)

Marcelo Portugal Gouvêa respondeu: “Esse assunto já está resolvido. O jogo já foi marcado para o Beira Rio, nós já reservamos hotel e passagens”, falou. Marco Aurélio Cunha, Superintendente de Futebol do São Paulo, criticou a ampliação da Arena. “Não dá para fazer um puxadinho. Se não o fez antes, tem que assumir o erro agora”, disparou.

 

O Atlético teve de reduzir o preço do ingresso de R$30 para R$5. Na Arena, cobraria R$40 na arquibancada. As secretarias de segurança do sul planejavam providências para evitar encontros das torcidas de São Paulo e Atlético no meio do caminho.

Não adiantava mais qualquer reclamação: O jogo teria mesmo de ser no Beira-Rio.