Vivienne Westwood. A mãe do visual punk


Estilista revolucionou o que é considerado apropriado para se vestir em público, a partir dos anos 1970

Vivienne Isabel Swire nasceu em 8 de abril de 1941 em Glossop, Derbyshire, Inglaterra.  Estudou na Harrow School of Art e na University of Westminster, fazendo cursos de moda e ourivesaria, mas saiu após um semestre. Declarou certa vez que “não fazia ideia de como uma pessoa da classe trabalhadora poderia ganhar a vida no mundo da arte”.

Depois de conseguir um emprego em uma fábrica e em seguida estudar Pedagogia, se tornou professora primária. Nesse período, também criava suas próprias joias, que vendia em uma banca na Portobello Road, em Londres. Casou-se com Dereck Westwood em 1962.

Em 1965 pediu o divórcio. No mesmo ano, conheceu e foi morar com Malcolm McLaren, e continuou assinando Vivienne Westwood, seu nome de casada. Juntos, eles iniciaram uma trajetória no universo da moda. Passaram a administrar a Let It Rock, uma barraca que vendia roupas vintage de segunda mão desde os anos 1950. Vendiam também alguns discos de rock do acervo de Malcolm.

Vivienne começou a desenhar roupas com base em suas ideias provocativas. Umas camisetas personalizadas, rasgadas e estampadas com títulos chocantes e trabalhados graficamente, anti-establishment, e também umas calças bondage — aquelas pretas com tiras inspiradas em trajes sadomasoquistas — que venderam muito na loja localizada na Kings Road 433 em Londres, da qual o casal se tornou proprietário em 1971.

A butique — primeiro Too Fast to Live Too Young to Die; e depois Sex — foi uma meca da moda jovem. No entanto, suas imagens carregadas de erotismo enfureceram a imprensa conservadora de direita do Reino Unido. Além do quê, os amigos de Malcolm como o futuro vocalista Johnny Rotten frequentavam a loja, que também foi transformada em um antro de vagabundagem vespertina, todos os dias.

Não tardou para Malcolm Mclaren resolver empresariar os Sex Pistols (nome inventado por ele, baseado na loja Sex), a banda daquele Johnny Rotten, em 1976, dando  início ao movimento punk na Inglaterra. Paralelamente, Vivienne se inspirou no visual da galera, e foi aos poucos construindo seu próprio império, trabalhando com inúmeras butiques e produzindo duas coleções de roupas masculinas e três roupas femininas anualmente, bem como vestidos de noiva, sapatos, meias, óculos, cachecóis, gravatas, malhas, cosméticos e perfumes. Seu design “mini-crini” — uma crinolina que cobre as coxas produzida em algodão e tweed — marcou um ponto de virada.

Logo depois que Westwood e McLaren encenaram Pirates, sua primeira coleção comercial de prêt-à-porter, em 1981, eles terminaram seu relacionamento pessoal. Permaneceram parceiros profissionais por mais cinco anos, mas Westwood logo estabeleceu sua identidade como designer independente e ponta-de-lança fashion do mundo pop.

Nas duas décadas seguintes, ela criou coleções inspiradas em clássicos, principalmente as pinturas de Jean-Honoré Fragonard, François Boucher e Thomas Gainsborough, bem como roupas históricas britânicas, incluindo a agitação do século 19, que Westwood incorporou sob elaboradas versões em vestidos de malha e minissaias xadrez.

Como uma verdadeira “dama do Império Britânico”, ela revolucionou o que é considerado apropriado para se vestir em público. Seu uso de técnicas de corte baseada em séculos passados, especialmente as linhas radicais que ela desenvolveu para calças masculinas, continuam a ser usadas e imitadas ainda hoje.

Aquela primeira apresentação na passarela, intitulada Pirates, ainda com Mclaren envolvido na produção, deu a Vivienne a condição de criar coleções memoráveis, com títulos como Savage, Buffalo Girls, New Romantics e The Pagan Years. Seus desfiles eram verdadeiros eventos pop, como shows de rock.

Ativista por consciência, Vivienne muitas vezes cobria seus projetos com slogans e outros apelos políticos. Suas principais preocupações políticas mudaram ao longo dos anos. Foi predominantemente ativa nas questões de mudança climática, desarmamento nuclear, direitos civis e liberdade de expressão.

“Eu faço a grande reivindicação para o meu manifesto: de que ele penetre na raiz da condição humana e ofereça alguma solução em sequência. Temos a opção de nos tornarmos mais cultos e, portanto, mais humanos; ou pelo menos não escolhendo ser o animal destrutivo e autodestrutivo, a vítima de nossa própria esperteza. Ser ou não ser…”, escreveu ela em um manifesto intitulado Resistência Ativa à Propaganda.

Vivienne Westwood foi certamente a estilista mais influente e popular do final do século 20 e início do 21. Morreu aos 81 anos em 29 de dezembro de 2022.

Se você tem entre 15 e 70 anos, olhe para suas roupas no armário e tente encontrar uma peça que não tenha algum elemento criado por ela. Você não vai conseguir.

A menos que você tenha uma fralda de pano. Ainda assim, em algum momento haverá nela um alfinete.

Ouça. Leia. Assista:

Vivienne Westwood – editora Rocco

Sid & Nancy (1986) – dir. Alex Cox – trailer

Crescendo com os Sex Pistols – livro por Alan G. Parker

Imagens: reprodução