A TERRA DOS ETERNOS


Na alvorada da humanidade, surge um misterioso objeto que, com sua influência, estimula a evolução daquela espécie ao longo dos séculos. É assim que começa 2001: Uma Odisséia No Espaço, filme que imediatamente me veio à mente quando, ainda nos primeiros segundos da projeção, vi surgir no horizonte a nave trazendo os Eternos, influenciadores da humanidade, tal qual o famoso monolito do clássico de Stanley Kubrick.

Já as belíssimas paisagens naturais e planos abertos filmados pela diretora Chloé Zhao, oscarizada por Nomadland, remetem a outro mestre do cinema, Terrence Malick, principalmente seu A Árvore da Vida que, não por acaso, possui um grandioso trecho dedicado à evolução na Terra, só que há um pouco mais de tempo, bilhões de anos. Os Eternos chegaram por aqui há “apenas” 7.000 anos.

E desta vez a trilha que acompanha a logo da Marvel Studios tem tudo a ver com o grupo de heróis milenares incumbidos de acompanhar a evolução da raça humana ao longo do tempo: a magnânima Time, do Pink Floyd!

As referências nos muitos flashbacks que vão nos mostrando os Eternos em momentos e lugares importantes da história real da humanidade constituem outro grande trunfo desta obra, sem dúvida, a mais ousada da Marvel até então.

E talvez por isso mesmo tenha provocado opiniões divergentes. A condução de toda a narrativa se mantém contemplativa e, por vezes, até melancólica, e as louváveis iniciativas de inclusão, com cenas supostamente polêmicas, merecem ser vistas com a mente aberta, como se a humanidade já tivesse conseguido alcançar um estado de “unimente”.

Todos os dez protagonistas têm espaço para brilhar. O “telepata” do grupo, vivido pelo ótimo ator Barry Keoghan, com seus olhos puxados, lhe confere um ar apropriadamente enigmático. Já o arco narrativo de Lia McHugh remete à personagem de Kirsten Dunst em Entrevista Com o Vampiro. O “indiano” (Kumai lNanjiani), com sua metalinguagem, é um alívio cômico muito bem acertado. E foi ótimo ver novamente Lauren Ridloff, surda-muda na vida real, cujo talento enriqueceu O Som do Silêncio. Contudo, as presenças de Angelina Jolie e Salma Hayek nos deixaram a impressão de que poderiam ter tido um pouco mais de destaque. O protagonismo coube à Gemma Chan e Richard Madden.

Muitos novos conceitos são estabelecidos, e um clima épico é ensaiado para ser completamente encenado… nos próximos filmes. Eternos se mostrou uma fantástica história introdutória que, não tenhamos dúvidas, ainda tem muito a desenvolver. E a grandiosidade, literal e metafórica, da trama vista aqui, com suas reflexões existenciais, preenchida também por belas sequências de ação, mostram que, mesmo sendo este um episódio um pouco “diferente”, ele deverá ser de suma importância para os eventos que vêm por aí!

Avante, Universo Cinematográfico Marvel!