Diz que Ernesto Guevara após ser assassinado pelo governo americano, ao chegar no firmamento se encontrou com Joana D’arc, fazia um calor tremendo e o argentino tentou disfarçar a gafe de saber que o talento para herói é um talento para sofrer. 

Existem mudo afora incríveis fogueiras, mesmo que a inquisição tenha acabado, a venda de perdões mudou para o virtual e Hamida Djandoubi em 1977 sentiu o peso da lei capital em seu pescoço, pois a França ainda usava guilhotina quando “Sonhos de Peninha” ganhou as rádios brasileiras. Pois nada seria melhor para a paz mundial, se não uma forma rápida de pensar no mundo hoje.

O discurso de um mundo vindouro pregado pelas religiões é intenso e filosófico, colocando as pessoas dentro de padrões éticos e morais que ajudam na compreensão do meio enquanto seres terrenos, a fé move montanhas e muda padrões e destinos individuais e coletivos, históricos e geográficos.

Durante a Segunda Guerra Mundial, quando nativos da Melanésia na Oceania tiveram contato com aviões do exército estadunidense, que levavam comida e suprimentos para os soldados em solo, os nativos passaram a acreditar que o deus norte-americano era melhor que o os seus deuses e passaram a hastear bandeiras e construir réplicas de aviões. Até hoje O Culto da Carga existe na ilha Tanna em Vanuatu e é o mais puro exemplo de sacralização de coisas materiais, em  movimentos religiosos, que acabam demonstrando um especial direcionamento das práticas e das concepções ao recebimento do divino como imagem e semelhança do próprio humano.

Porém, a crença em uma redenção da alma, desassocia o humano da terra, vai de encontro ao discurso ambientalista, não se importando com a materialidade da vida, quando isso acontece, temos um humano religioso e predador, que muitas vezes é paradoxal ao próprio discurso daquilo que pensa crer. Sendo mais claro, a bancada da bíblia, do boi e da bala, faz seus seguidores acreditarem profundamente em um mundo melhor, sacralizando políticos e símbolos nacionalistas, associando o discurso cristão com uma terra e ignorando a importância dessa terra no contexto espiritual e deturpando o caráter missionário do cristianismo.

Quando os índios Guaranis no Paraná espanhol, foram reduzidos à vida civilizada, foram reduzidos a um discurso religioso, da mesma forma com que eram incentivados a perseguirem outros grupos indígenas, que outrora eram inimigos, passaram a ter o aval da cruz e da coroa espanhola para matarem aqueles que não se submetiam ao julgo do poder, Charruas, Minuanos, Caigangues e etc.

Por isso, o uso das igrejas evangélicas é o uso do discurso jesuítico de reduzir os crentes a um conservadorismo algoz e calcado em uma moral do século XVII, é usar o medo e mitificar eventos, como a entressonhada facada, para justificar a aniquilação daqueles que acreditam em coisas diferentes, que lutam pela comunidade ou pelo meio ambiente, o neopentecostalismo bolsonarista é a aniquilação ideal de um Brasil material e desenvolvido, para um Brasil culposo, que alimenta mais a alma que o corpo, um país de alguns que esperam o arrebatamento, arrebatamento esse que torço para que venha logo, assim ficaremos em paz.