O Atlético, pela primeira vez, estava classificado para as quartas de final da Libertadores. Encarava o Santos, então atual campeão brasileiro que tinha disputado o título justamente contra o Rubro-negro. E o Furacão, em uma grande noite na Vila Belmiro, eliminou o bicampeão da América e octacampeão brasileiro, avançando às semifinais da competição continental. É dessa história que vamos relembrar agora. O Furacão das Américas assustava mais uma vez.
Antecedentes
Depois de assistir das tribunas o épico jogo de volta entre Atlético x Cerro Porteño, pelas oitavas de final da Libertadores, Antonio Lopes finalmente estreou no comando técnico do Furacão. Mas o primeiro jogo não foi bom. O rubro-negro perdeu por 2 a 0 para o Botafogo, fora de casa, pelo Campeonato Brasileiro. Era a sexta derrota consecutiva do Atlético, que ainda não tinha somado pontos na competição.
Mas não houve tempo para lamentar. Logo em 1º de Junho, acontecia o jogo de ida das quartas de final da Libertadores entre Atlético x Santos, na Arena da Baixada. Naquele dia, o Atlético foi a campo com Diego; Durval, Danilo e Marcão; Jancarlos (Fabrício), Alan Bahia, Cocito, Evandro e Leandro (André Rocha); Aloísio (Cléo) e Lima.
Já o Peixe foi escalado com Henao; Flávio (Basílio), Ávalos, Alisson e Léo; Bóvio, Fabinho, Zé Elias (Tcheco) e Ricardinho; Deivid (Fabiano)e Robinho.
O Atlético teve dificuldades, mas foi guerreiro naquela partida. Aloísio quase abriu o placar no primeiro minuto, mas quem saiu na frente foi o Santos, com gol de Ricardinho aos 11 minutos. O Furacão conseguiu o empate aos 25, em cabeceio de Evandro por cima do goleiro após cruzamento de Jancarlos. O problema é que, aos 27, Alan Bahia fez falta em Robinho, recebeu o segundo amarelo e foi expulso.
Mesmo com um a menos, o segundo gol foi rubro-negro. André Rocha cobrou falta, Henao deu rebote e Marcão arrematou para virar, na marca de 40 minutos. Mas, aos 43, Robinho empatou de cabeça.
O Atlético conseguiu a vitória com um gol de Lima. André Rocha cruzou, e o atacante completou, livre de marcação, para fazer 3 a 2.
O Furacão, para avançar às semifinais, precisava de um empate. Vitória santista por um gol de diferença já classificava o Peixe, por causa do critério do gol fora de casa. Mas o duelo de volta aconteceria apenas duas semanas depois, por causa da parada para as eliminatórias da Copa do Mundo de 2006.
O Atlético voltou a entrar em campo pelo Campeonato Brasileiro, dia 11 de junho, contra o Figueirense. Em um Couto Pereira com portões fechados por causa de uma punição imposta ao Atlético, lanterna e vice-lanterna ficaram no zero a zero. Uma curiosidade: Aquela foi a estreia de Edmundo com a camisa do Figueira.
A situação atleticana no brasileirão ia de mal a pior. Mas aquele problema poderia ser resolvido depois. Pela frente, vinha o jogo de volta contra o Santos.
O jogo

No dia 15 de junho de 2005, às 22h, Santos e Atlético se enfrentavam pela partida de volta das quartas de final da Libertadores 2005, na Vila Belmiro.
Um detalhe importante: O Santos não pôde contar com o atacante Robinho e o lateral esquerdo Léo, ambos com a seleção brasileira para a disputa da Copa das Confederações daquele ano. Outro que não pôde entrar em campo foi Giovanni, por atraso na inscrição. O Atlético, obviamente, não teve Alan Bahia, expulso no jogo de ida.
Assim, o técnico Alexandre Galo escalou o Santos com Mauro; Flávio, Ávalos, Alisson e Wendell; Zé Elias (Douglas), Bóvio, Tcheco (Fabiano e William) e Ricardinho; Basílio e Deivid.
Já Antonio Lopes mandou a campo Diego; Durval, Danilo e Marcão; Jancarlos, Cocito (Vieira), André Rocha, Ticão (Leandro) e Fabrício; Lima e Aloísio (Fernandinho).
A primeira chance da partida foi do time da casa, com dois minutos. Deivid finalizou dentro da área e Diego fez grande defesa. O Atlético respondeu com André Rocha, que finalizou e obrigou o goleiro Mauro a desviar pela linha de fundo. O Furacão abriu o placar aos 17 minutos. Aloísio se livrou de três zagueiros, escapou de Zé Elias e arrematou. 0x1.
Após o gol, Galo fez duas alterações: Fabiano entrou no lugar de Tcheco e Zé Elias, lesionado, saiu para a entrada de Douglas. O Peixe foi pra cima e teve duas boas oportunidades para empatar o jogo. Na melhor delas, aos 39 minutos, Basílio pegou sobra na área, mas acabou mandando pra fora. O time da casa ainda reclamou de duas penalidades não assinaladas por Carlos Eugênio Simon, na primeira etapa.
No segundo tempo, o Santos teve outra chance de empate logo aos 4 minutos. Deivid recebeu lançamento de Ricardinho dentro da área e tocou na saída de Diego, mas a bola foi fraca e a zaga atleticana conseguiu afastar o perigo a tempo.
Quatro minutos depois, a resposta. Lima fez boa jogada na área e a zaga afastou para escanteio; na cobrança, Aloísio ficou livre e cabeceou para marcar o segundo dele, o segundo do Furacão. 0x2.

Se quisesse a classificação, o Santos teria de fazer pelo menos três gols, para levar o confronto para os pênaltis. Desespero na Vila Belmiro. O Atlético aproveitou esse desespero para tentar ampliar nos contra-ataques. A principal delas foi aos 24 minutos, quando Lima recebeu na área e finalizou em cima da zaga. O Santos errava nas finalizações e levava pouco perigo à meta de Diego.
Aos 37 minutos, o auge: Com mais de 18 mil pessoas na Vila Belmiro, só se ouvia a minoria. Os atleticanos gritavam “eliminado! Eliminado!”, enquanto os santistas se calavam do outro lado das arquibancadas. Era a primeira vez em quase 30 anos que o Santos perdia um jogo de Libertadores em casa. Os únicos gritos da torcida mandante, ao fim do jogo, foram para pedir a cabeça de Alexandre Galo e a contratação de Emerson Leão.
O Furacão não tinha nada haver com isso. Com autoridade, eliminava o Santos, tendo vencido as duas partidas. Era a consagração. De um clube que nunca havia passado das oitavas de final, o Atlético agora estava nas semifinais. Pela frente viria o Chivas de Guadalajara, que havia passado pelo Boca Juniors nas quartas de final.