Depois de duas semanas ausente, o retorno da coluna Cine Tela Plana à Rádio Cultura é com uma lista de imperdíveis clássicos do cinema
Óbvio que o título é uma baita mentira. Nada vai mudar depois que você assistir a esses filmes. Mas, se serviu para chamar a sua atenção, certamente você ampliará o seu conhecimento sobre o cinema e assistirá a clássicos que nem sempre frequentam as listas de melhores da mídia especializada. São títulos que estão disponíveis em plataformas de streamings e sites de filmes de arte para locação ou compra, como Apple TV, Mubi, Amazon Prime, YouTube, entre outros. Se tiverem a oportunidade, assistam a:
FITZCARRALDO (1982)
Direção: Werner Herzog
O hiper-realismo alemão levado às raias da loucura. Assim foi o set de filmagem de Fitzcarraldo, considerado até hoje um dos mais caóticos da história. Para recriar a trajetória de um barão da borracha do Peru, no início do século XX, Werner Herzog colocou toda a equipe para construir e arrastar pela mata amazônica um navio a vapor de 130 metros e 160 toneladas. O ator Klaus Kinski, com quem não se dava muito bem, protagonizou cenas de loucura absoluta. Ao final da filmagem, indígenas peruanos ameaçaram Kinski de morte.
UM ESTRANHO NO NINHO (1975)
Direção: Milos Forman
Levado da Tchecoslováquia para os Estados Unidos pelos produtores, a estreia de Milos Forman na indústria cinematográfica foi retumbante. Um Estranho no Ninho é considerado um dos melhores filmes da história e trata sobre a opressão nas relações de micropoder. O marginal Randle McMurphy se passa por deficiente mental para escapar das punições nas penitenciárias. Internado num hospital psiquiátrico, enfrenta a ira de uma enfermeira autoritária que passa a reprimir as suas atitudes libertárias e anarquistas. Uma obra-prima!
MUITO ALÉM DO JARDIM (1979)
Direção: Hal Ashby
Muito além de uma estrela, Peter Sellers prova ser um astro rei ao desempenhar Chance, um ingênuo jardineiro que foi criado dentro dos muros de uma mansão e cujo único contato com o mundo externo acontecia quando se sentava em frente da televisão. Quando seu patrão morre, Chance é obrigado a deixar a propriedade. E, ao ser atropelado por um magnata, acaba se tornando uma das pessoas mais influentes dos Estados Unidos como conselheiro do presidente da República. Atuação inesquecível numa comédia emblemática e alegórica sobre os “vidiotas”.
ALL THAT JAZZ (1979)
Direção: Bob Fosse
Bob Fosse foi um bailarino e coreógrafo de dança moderna e de jazz que, como cineasta, cometeu duas obras-primas do estilo musical: Cabaret (1972) e All That Jazz (1979). O primeiro levou o Oscar de Melhor Direção e o segundo arrematou a Palma de Ouro e mais quatro óscares de categorias técnicas. All That Jazz causou furor pelo tratamento estético e tomadas surpreendentes das coreografias para o musical Chorus Line. Cenas fantasiosas recheiam o roteiro autobiográfico como celebrações à dança e à vida.
FESTIM DIABÓLICO (1948)
Direção: Alfred Hitchcock
A maior parte das cenas da vasta filmografia de Alfred Hitchcock foi captada com um só take. Isso para economizar tempo, folha de pagamento e metros e metros de película. Mas, em Festim Diabólico, o gênio do thriller de suspense exagerou. Todo o filme é realizado com um só take, havendo alguns poucos cortes para troca de bobinas. Além de uma encenação teatral com marcações cirúrgicas, o roteiro valoriza a insanidade de um casal de rapazes que se diverte com convidados, num jantar sobre o cadáver de um amigo.
DAUNBAILÓ (1986)
Direção: Jim Jamursch
Down By Law, genialmente lançado no Brasil como Daunbailó, significa vencidos pela Lei. Estrelado por Tom Waits, John Lurie e Roberto Benigni, o filme é um marco do cinema independente novaiorquino. Ganhou o circuito mundial ao ser lançado em Cannes. Ao contar a história de três prisioneiros que se conhecem numa cela de penitenciária em New Orleans, Jim Jamursch trata das influências de um atabalhoado estrangeiro europeu que tem muito a ensinar a dois circunspectos e orgulhosos norte-americanos.
O TAMBOR (1979)
Direção: Volker Schlöndorff
O filme é um libelo político anti-nazista e anti-bélico. Conta a história do menino Oskar Matzerath nos anos de 1920, na cidade de Dantzig, na Alemanha. Ao descobrir o caso de sua mãe com um primo, o garoto decide parar de crescer e se joga de uma escada. Também passa a tocar um tambor sempre que se sente ameaçado. Até que descobre o estranho dom de soltar um grito tão agudo capaz de quebrar cristais. O roteiro maravilhoso arrematou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e dividiu a Palma de Ouro com Apocalypse Now.
O PIANO (1993)
Direção: Jane Campion
O Piano revelou para o mundo o talento da diretora e roteirista Jane Campion, que conta no filme a trajetória de Ada McGrath, uma jovem senhora muda levada para a Nova Zelândia, junto com a filha, para um casamento arranjado. Além de uma imediata incompatibilidade entre o casal, ele se recusa a transportar o piano da noiva. A atitude leva Ada a conhecer George Baines que recolhe o instrumento. A partir daí, o roteiro desenvolve uma das tramas mais originais e marcantes do cinema mundial. O epílogo é memorável.
TODOS OS HOMENS DO PRESIDENTE (1972)
Direção: Alan Pakula
O jornalismo investigativo tornou-se uma categoria cinematográfica desde Todos os Homens do Presidente. O escândalo de Watergate, que levou o presidente norte-americano Richard Nixon à renúncia em 1974, é contado em roteiro escrito pelos próprios autores do livro e das reportagens para o Washington Post que derrubaram o mais poderoso homem do planeta. Nas telonas, a dupla de jornalistas Bob Woodward e Carl Bernstein é interpretada, na melhor forma possível, por Robert Redford e Dustin Hoffman.
O COZINHEIRO, O LADRÃO, SUA MULHER E O AMANTE (1989)
Direção: Peter Greenaway
Os filmes de Greenaway elevaram as emergentes tecnologias digitais do final dos anos de 1980 ao status de arte no cinema. O Cozinheiro… é, sem dúvida, um marco na incorporação das novidades tecnológicas que vinham das indústrias do entretenimento do Japão. Não por menos os cenários são composições geométricas que alternam de cores conforme a intensidade das cenas. Sexo, poder e comida movem as bizarras personagens que convivem em torno de um restaurante. Experimentalismo puro de primeira qualidade.