Hoje a cultura comemora o dia das mães. Desde cedo, já recebi as mais diversas mensagens, com aquelas referências e alusões quase angelicais e extra-terráqueas, de quem venha a ser este Ser altivo, de nome mãe.
Pouco encontro quem a ela se referia como imperfeita, que não sabia o que fazer quando pegou seu rebento pela primeira vez em seus braços. O Meu desejo é de traçar linhas nesta direção, hoje, a de que apontam as faltas, os medos deste ser feito de carne e osso, convocado da noite para o dia, a ocupar um lugar e papel outrora nunca exercidos. Quero falar a mães como eu, que foram pegas de supetão com a notícia da primeira gravidez, que correram mil léguas a passos galopantes, para tentar ajustar os passos ao compasso do tempo de uma barriga que crescia, mas não na mesma velocidade que a maturidade. E, será, que em algum dia cresce???
Sabe, não me vejo representada nestas mensagens que endeusam as mães, que as colocam em pedestais de bastardas inglórias. Mães que superprotegeram, que pensaram primeiro nos filhos e depois em si próprias. (In)felizmente, estas mensagens não me representam. Tive que crescer e amadurecer no supetão junto com eles. Esta foi sim uma escolha, a de querer aproveitar este lugar privilegiado de ascender do lugar de filha, para o de mãe. E nestas tentativas, fomos nós, enquanto mãe e filhos, que sofremos, neste processo árduo de (des)encontros nas tentativas de ocupar o abismo entre o que se imagina como uma mãe ideal e a da realidade, com todas as (im)perfeições de quem ousa se a-riscar por estas tortuosas trilhas.
Recordo-me constantemente, das festas dos dias das mães da escola de educação infantil dos meus filhos, em que vinham com todas aquelas homenagens em palavras e demonstrações em que eu não me reconhecia e, inclusive, até me culpava.
Mãe, bem supremo do criador; mamãe obrigada por suas madrugadas em claro; obrigada por dar a sua vida por mim; etc. e tals. Mal sabiam eles, quão custosas me eram aquelas madrugadas de noites de sonos perdidas. Que na primeira noite que meu segundo filho retornou da maternidade e escutei seu choro no outro quarto, lá tãããoooo distante, que me acordou, pensei: Aonde é que eu estava com a cabeça quando inventei esta brincadeira e este brinquedinho???
Acho que este choro me diz respeito, pensei assonada e me (re)situando ligeiramente onde me encontrava, vem da “invenção” que resolvi colocar no mundo. Agora ele depende exclusivamente de mim e sou eu, quem tem que levantar e ir atender a esta criatura. Mas que brincadeira trabalhosa que resolvi criar como uma das respostas ao mal-estar da existência… precisava ser tão trabalhosa??? rsrs…
Pois bem, após tantos horrores e feridas narcísicas escancaradas, e sendo tradicionalmente o dia que os filhos homenageiam às suas mães, eu estou passando com o textão, para homenagear a você Camila, primogênita guerreira, e a você Giuseppe, que com sua pré-maturidade, já chegou testando o meu medo de perder um amor na vida.
Quero agradecer a vocês dois por terem escolhido o meu ventre, com muita coragem, para vir a este louko mundão, e me fazerem mãe. Sério, sem vocês, eu seria mais lixo humano do que já sou.
A paciência, o amor e a persistência de vocês me fez querer crescer, amadurecer, aprender o que é SER. Hoje, posso lhes dizer, que não sei o que é amor maior, do que aquele que se dá para que outro sobreviva. Vocês sabem muito bem do que eu estou falando, meus filhos queridos e amados.
Minha homenagem hoje é para todas as mães que se sentirem aconchegadas e acolhidas nestas palavras errantes, de uma faltante, que pode assegurar, que não há melhor lugar de exercício de humanidades, que a maternidade.
Sejam felizes mamães queridas, a mãe em mim, a mãe que tenho e os filhos que me fazem e fizeram, muito melhor do que seria sem eles. Em seus casos, as criaturas realmente superaram a criadora. Vocês são infinitamente melhores que eu… missão cumprida e comprida rsrs… os discípulos superaram ao mestre!
Gratidão a generosidade do grande Outro, que pode receber os nomes de Deus, de Universo, de Inconsciente, de Desejo, que me trouxeram até aqui, embalada pelos choros, gritos, dores, sofrimentos e realizações, tudo junto e misturado, proporcionados pelos meus dois rebentos pupilos Camila e Giuseppe, que me fizeram e fazem uma mãe, com todos os meus furos e faltas, mas com um amor que transborda e transcende as palavras.
QUE POSSAM SER ATOS…
Parabéns, mamães!
E a Celina, principalmente. Beijos, hoje, no dia das mães, nos felizes e sôfregos errantes corações de todos nós, humanoides viventes.
Regina Celebrone