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Entre prêmios de direção, roteiro e atuação, a versátil Àgnes Jaoui já deve ter ganho uma dúzia de prêmios César, a maior honraria do cinema francês. Em O Gosto dos Outros, Jaoui não apenas faz sua estreia como diretora, mas assina o roteiro em conjunto com Jean-Pierre Bacri e integra o elenco. O filme foi sucesso de bilheteria, venceu quatro César e foi indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro. É também um dos filmes com o menor número de críticas negativas de acordo com websites especializados.
Embora seja assumidamente uma comédia romântica, a obra de Jaoui consegue dar frescor as convenções do gênero. O empresário Jean-Jacques Castella é forçado a fazer aulas de inglês para poder fechar um grande negócio com empresários iranianos. Se no início a perspectiva das aulas lhe parecia enfadonha, as coisas mudam quando ele reconhece sua professora, Clara, em uma peça de teatro. Tentando se aproximar dela, Castella acaba em um mundo de arte e sofisticação, onde é ridicularizado. Alheio ao que os outros pensam a seu respeito, o empresário acabara por conquistá-los.
No cerne, O Gosto dos Outros é um filme sobre preconceitos – não aqueles bem conhecidos e combatidos, mas os que se travestem de bom-gosto e sofisticação. A obra mostra como a tendência de tipificar os outros de acordo com noções preconcebidas é universal e quase imperceptível, e como essa característica nos cega a outras subjetividades. Jaoui se expressa de maneira delicada, mesclando cenas mais significativas com humor leve. Em outros momentos, o filme é direto demais, causando uma leve sensação de artificialidade. Isso é mais que compensado pelo elenco, uma seleção de nomes experientes do cinema francês. Jean-Pierre Bacri não precisa de artifícios para ser engraçado: convincente como Castella, o contraste do simplório empresário com o círculo presunçoso de Clara faz o resto.