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Os Suspeitos foi o primeiro longa-metragem em língua inglesa do diretor canadense Denis Villeneuve, que viria a dirigir sucessos de crítica e público como A Chegada, Sicario e BladeRunner 2047. A obra destaca-se por exibir uma complexidade emocional incomum para o normalmente inócuo gênero das histórias de detetive e apresenta Hugh Jackman em um raro papel dramático.
Em um subúrbioda Pensilvânia, Keller Dover, um homem impulsivo e obcecado com “sobrevivência”, visita a família de seu amigo Franklin Birch para um jantar de acção de graças. Enquanto brincavam na rua, Anna e Joy, filhas de Keller e Frank, respectivamente, desaparecem. As famílias chamam a polícia, que coloca um de seus melhores detetives no caso, Loki. O policial logo captura um suspeito, mas é incapaz de extrair informações. Desiludido, Keller decide fazer justiça com as próprias mãos.
Dois aspectos tornaram Os Suspeitos um dos melhores filmes lançados em 2013. Em primeiro lugar, este não é um filme em que cada pista leva a seguinte, até que, num momento de inspiração, o detetive soluciona o caso quase que por mágica. Na obra de Villeneuve, pelo contrário, nos deparamos com a absoluta falta de evidências. A forma como os personagens lidam com isso ajuda a dar-lhes profundidade e adiciona uma camada de significado à obra. O desfecho, ainda que se dê com uma descoberta, é fruto do acaso, sobretudo. Outra característica notável é a ambiguidade moral da trama. Keller é devoto à família e fará todo o possível para resgatar a filha. Se no início torcemos para o personagem, aos poucos nos vemos perturbados com suas atitudes. Num toque magistral, ao final não apenas permanece o caráter ambíguo das ações de Keller, como seu próprio destino torna-se incerto.