Dica da EMA – Ruína Azul

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Jeremy Saulnier fez seu nome na sétima arte como cinegrafista, mas desde o início da carreira dirigiu projetos paralelos com baixo ou nenhum orçamento. Ruína Azul, de 2013, foi produzido com financiamento coletivo de quatrocentos e vinte mil dólares. A cifra, talvez impressionante em outras artes, é irrisória para o mundo do cinema, representando um ducentésimo (1/200) do orçamento médio de uma produção de Hollywood. A obra recebeu o prêmio FIPRESCI, em Cannes, e lançou a carreira de Saulnier como diretor.

Dwight Evans vive como indigente em uma cidade de praia nos Estados Unidos. Apesar das condições precárias, percebemos um método em seu estilo de vida. Uma manhã, uma policial visita o carro onde Evans dorme e lhe conduz a delegacia. Ali, lhe informa que o assassino de seus pais foi solto, no estado da Virgínia. Em busca de vingança, Dwight verá que não é tão simples trocar olho por olho e dente por dente.

Embora o enredo de Ruína Azul se enquadre facilmente na temática da vingança, este não é um filme comum. Diferente de histórias similares, em que o protagonista aprende em minutos como usar uma arma e parece ter planejado todos os acontecimentos, aqui nos deparamos com um homem que, francamente, tem pouquíssima ideia do que fazer. O realismo chega a ser cômico em alguns momentos, em grande parte devido a atuação expressiva de Macon Blair, resquício de seus constantes papéis em filmes de horror trash. Intencional ou não, esta característica dá um tom incomum à obra, quase irônico em algumas cenas. Em outras, a combinação de fotografia claustrofóbica e trilha sonora cria cenas de tensão excepcionais. O final não chega a surpreender, mas também não decepciona, contribuindo para um filme poderoso e original – senão no enredo, ao menos na abordagem.