Eduardo Bragança e as esculturas que exploram o tátil

Exposição;GuidoViaro

Está disponível, até o dia 18 de maio, a exposição “Textural”, do pintor e escultor português Eduardo Bragança. A obra é formada por várias esculturas espalhadas em diferentes salas, separadas por materiais usados.

 

São montados especialmente rochas corais, conchas e formas abstratas, construídas com gesso, esponja, carvão vegetal (que do modo como é montado parece uma pedra) e biscuit.

 

Eduardo veio para Curitiba em novembro de 2013 a fim de expor sua arte. Faz majoritariamente pintura, mas na exposição “Textural”, focou-se inteiramente na escultura. “me inspirei em coisas do afeto textural, (daí o nome da exposição). Quando eu digo “do afeto”, falo daquelas coisas que às vezes nos dão vontade de tocar. Há coisas que não podem passar somente pelo aspecto visual. A gente tem que sentir”, disse Bragança em entrevista coletiva.

 

O artista  contou como foi desenvolvido o trabalho: “uma escultura não tem que necessariamente ter função de esculpir. Também é escultura o processo volumétrico que ela assume. Nesse caso eu não esculpi, mas eu trabalhei: eu peguei em materiais diversos como massa de porcelana fria chamada massa Biscuit, e trabalhei essa massa para fazer uma forma.”

 

“Esse processo de escultura deu origem a essas peças que majoritariamente foram feitas com essa massa. Mas, com outros materiais eu tenho de gesso transformado em placa de madeira, carvão vegetal (usado em churrasco) pintado e colado…

Quis transformar aquilo que é normal em algo que a pessoa nem imagina que seja construído daquela forma”.

 

Mais difícil que imaginar materiais do dia a dia utilizados numa escultura complexa é o esforço para fazer tudo isso: “Foi um desafio muito grande, porque é um trabalho minucioso. São horas e horas, noites e dias enrolando pecinhas com a mão, fazendo bolinhas… Cheguei a um ponto que minhas mãos já não aguentavam mais. Foi um trabalho de paciência. Tive que fazer, em dois meses, 41 trabalhos. Foi um trabalho de paciência, dedicação e também de amor”, completa.

 

A exposição estará no Guido Viaro até essa sexta (18). O museu fica na rua XV de Novembro, 1348, em frente a UFPR, no centro de Curitiba.