ENTRE A IDEOLOGIA E A PRÁTICA:


A contradição dos progressistas no combate ao antissemitismo e o preconceito aos judeus

Logo eu que nunca soltei a mão de ninguém, deparo-me quase que diariamente a discursos de ódio em minhas redes sociais, aquele capim humano onde todos ruminam o que tem de pior e mais estereotipado em relação a sua própria humanidade. Eu gostaria de começar este artigo com uma pergunta simples, mas que parece ecoar no vazio da hipocrisia ideológica: onde está a coerência dos “progressistas” quando se trata do antissemitismo e do preconceito contra os judeus?

O antissemitismo, infelizmente, é uma realidade presente em diferentes espectros políticos que enfrentamos, permeando tanto a direita quanto a esquerda. Este fenômeno, conhecido como antissemitismo estrutural, reflete a presença de preconceitos enraizados na sociedade que alimentam estereótipos e hostilidades em relação aos judeus, palavras como judiar, usura e leviano tem uma forte raiz antissemita. Na esfera da direita política ruminante, o antissemitismo muitas vezes se manifesta por meio de teorias conspiratórias que atribuem aos judeus um suposto controle sobre instituições financeiras globais, mídia e governos. Essas teorias da conspiração, como a famosa “teoria da conspiração judaica” ou “teoria da cabala judaica”, promovem a ideia de que os judeus estão manipulando os eventos mundiais em benefício próprio, perpetuando assim estereótipos prejudiciais e falsos sobre o povo judeu. Além disso, a direita política muitas vezes utiliza retórica antissemita para justificar políticas discriminatórias, como restrições à imigração com base em estereótipos sobre judeus como “invasores” ou “usurpadores” da cultura nacional. Essa retórica alimenta um clima de ódio e exclusão que pode levar a consequências graves, como ataques físicos e vandalismo contra comunidades judaicas.

Por outro lado, a esquerda política também não está imune ao antissemitismo estrutural. Embora o antissemitismo na esquerda muitas vezes se manifeste de maneira diferente, ele ainda é prejudicial e deve ser reconhecido e combatido. Uma das formas mais comuns de antissemitismo na esquerda é a crítica política a Israel que se transforma em ataques generalizados a todos os judeus, muitas vezes ignorando a diversidade de opiniões dentro da comunidade judaica e deslegitimando a preocupação legítima com a segurança do Estado de Israel. Além disso, alguns setores da esquerda política minimizam ou negam o Holocausto, ignorando ou menosprezando o sofrimento histórico do povo judeu durante o genocídio perpetrado pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Essa negação da história é profundamente insensível e desrespeitosa com as vítimas do Holocausto e suas famílias, além de contribuir para a perpetuação do antissemitismo, pois um país que queima museus é capaz de queimar judeus.

Mas e você, progressista, que empunha uma luta cotidiana e justa contra a misoginia e o racismo, com uma postura de defesa apaixonada contra todas as formas de discriminação, por que não tem essa postura quando se trata de judeus?! Afinal, criticar Israel é uma coisa, mas deixar essa crítica se transformar em ódio indiscriminado contra todos os judeus é outra completamente diferente. É quase como se você estivesse se esforçando para provar que pode ser tão preconceituoso quanto aqueles que tanto critica. Afinal, nada mostra mais a incoerência de uma ideologia do que suas próprias contradições.

Eu confesso que me sinto muito mal quando vejo uma feminista defendendo o Hamas, ou um negro falando de um judeu imaginário, rico, branco e belicista. Como entendo que essa luta retórica é perdida porque competir com a ignorância e o preconceito é algo muito difícil, pois ninguém solta a mão de ninguém e todos calam a boca do judeu, em uma suposta defesa ao direito (legitimo) dos árabes palestinos. A associação de Israel a uma direita politica é uma forma de antissemitismo, Israel está sob um governo de direita, mas foi fundado pela esquerda. Agora imagine no governo Bolsonaro algum progressista de Paris ou de Milão dizendo, “do Mar ao Javari o Brasil não deve existir”; talvez eles, para você, estivessem certos, pois Bolsonaro, sob essa ótica, representa o Brasil inteiro e toda a ideologia republicana que o fundou. Logo, para você Lula seria a mesma coisa que Bolsonaro, Dilma que Collor e FHC que Jango, e sim, estou falando contigo que acha que sionismo é  apenas um espectro politico racista e de direita, mas na verdade, é o nome do nacionalismo judaico que pode ser comunista ou ancap, que abriga Golda Meir e Ariel Sharon. Mas afinal, para você e seu racismo essas figuras são a mesma coisa. Você não percebe que nós, judeus, deveras somos muito mais do que o governo de Israel!

É como se você estivesse usando um manual de dupla moral, onde a indignação seletiva é a regra do jogo. Afinal, é mais fácil apontar o dedo para os outros do que encarar as próprias contradições. E então vem a retórica vazia, os argumentos tortuosos e as desculpas esfarrapadas. “Não somos antissemitas, somos apenas críticos de Israel”, eles dizem, enquanto seus discursos e ações revelam uma verdade muito diferente. Afinal, atacar símbolos judaicos, espalhar teorias da conspiração sobre o “domínio judaico” e negar o Holocausto são tudo menos críticas políticas legítimas.

Existem 100 mil  judeus no Brasil, em Colombo no Paraná existem 246 mil pessoas, e a comunidade judaica é a nona maior do mundo, minoria entre a minoria, existem menos judeus no mundo que paulistanos, foram 6 milhões de mortos para 15 milhões de pessoas, e aí esta o antissemitismo de lula, imagine esse 81 milhões de brasileiros mortos. em outras palavras Não é hora de a esquerda admitir sua própria hipocrisia? Não é hora de reconhecer que o antissemitismo não é apenas uma deformidade da direita, mas uma doença que infecta todos os espectros políticos?

Afinal, se quer ser levado a sério em sua luta contra o preconceito e a discriminação, ela precisa começar por olhar para dentro e enfrentar os demônios que você mesmo criou. Enquanto isso, o resto de nós continuará a apontar o dedo para a incoerência flagrante, porque às vezes a verdade mais dolorosa é a que mais precisa ser ouvida: todo antissemita é racista, todo antissemita é racista, todo antissemita é racista, três vezes. Pois nunca culpe um negro pelo genocídio em Ruanda que matou 1 milhão de tutsis e nunca culpe uma mulher por Margareth Tachear, assim como você nos culpa por apenas exigir respeito de você, coisa que seu maniqueísmo infantil não permite.