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“Lygia Clark (1920-1988) 100 anos” – Exposição com obras raras no Rio de Janeiro
23 | agosto | 2021 - 23 | outubro | 2021

A Pinakotheke Cultural, em parceria com “O Mundo de Lygia Clark” realiza exposição retratando trajetória da artista. Obras de colecionadores, a maioria nunca vista pelo público, ajudam a contar a história da mulher que revolucionou as artes plásticas.
As cem peças selecionadas celebram o centenário de Lygia Clark. São obras de colecionadores, a maioria nunca vista pelo público. Elas ajudam a contar a história da mulher que revolucionou as artes plásticas.
“Ela pega o espectador e traz para dentro da arte. Quer dizer, ela sai de uma posição conservadora de artista para uma posição de proponente. Nós estamos falando dos anos 60, quando as mulheres não tinham grande projeção na arte internacional”, explica o curador Max Perlingeiro.
O passeio na Pinakotheke Cultural, no Rio, percorre fases diversas: influências de Burle Marx e grandes mestres da pintura.
E ainda há as telas em preto e branco, que deram identidade à artista. Dos quadros para obras batizadas como trepantes, que misturam metal e troncos de madeira. Ou ainda os objetos moles. A borracha tratada com o carinho da genialidade.
Mas foram as esculturas em alumínio que carimbaram o passaporte de Lygia Clark no mundo das estrelas. Eram os seus trabalhos de estimação, chamados carinhosamente de bichos. Para ela, essas dobradiças faziam com que as esculturas se mexessem como queriam, ganhassem formatos diferentes. Elas davam vida ao alumínio. Esta seleção de bichos é uma das mais raras do mundo.
“A obra de Lygia não era muito compreendida no seu tempo. As pessoas olhavam os seus bichos com respeito, mas com uma certa desconfiança, porque não era uma escultura, não era um objeto. Era o quê? Era um bicho”, conta Max Perlingeiro.
Arte reconhecida em três bienais de Veneza, na Itália, exposições em diferentes países e trabalhos que entraram para o acervo de grandes museus.
A vanguarda se mostra ainda nas experiências sensoriais de Lygia Clark. Ela criou seu próprio método terapêutico. Inventou roupas e objetos.
Os cuidados com a pandemia impedem que as obras sejam tocadas, mas, nas visitas agendadas, o público vai poder aguçar outros sentidos, como o olfato. Potinhos têm camomila, alecrim, hortelã e alfazema, as essências preferidas de Lygia usadas na terapia.
Fotos foram tiradas em Paris, no fim dos anos 1960, e animadas agora. Tudo faz parte de um jeito revolucionário para o tratamento das tensões da vida e dos sofrimentos da alma, e que é usado até hoje.
“Tudo é extremamente novo. Essa questão de memória do corpo, autonomia do objeto, são coisas que hoje se começa a estudar na neurociência, ainda pega aqueles mistérios da arte, né? Mas traz uma coisa prática para sua vida”, diz o artista e terapeuta Lula Wanderley.
Sobre a artista:
Lygia Pimentel Lins (Belo Horizonte MG 1920 – Rio de Janeiro RJ 1988). Pintora, escultora. Muda-se para o Rio de Janeiro, em 1947, e inicia aprendizado artístico com Burle Marx (1909-1994). Entre 1950 e 1952, vive em Paris, onde estuda com Fernand Léger (1881-1955), Arpad Szenes (1897-1985) e Isaac Dobrinsky (1891-1973). De volta para o Brasil, integra o Grupo Frente, liderado por Ivan Serpa (1923-1973) e formado por Hélio Oiticica (1937-1980), Lygia Pape (1927-2004), Aluísio Carvão (1920-2001), Décio Vieira (1922-1988), Franz Weissmann (1911-2005) e Abraham Palatnik (1928), entre outros. É uma das fundadoras do Grupo Neoconcreto e participa da sua primeira exposição, em 1959. Gradualmente, troca a pintura pela experiência com objetos tridimensionais. Realiza proposições participacionais como a série Bichos, de 1960, construções metálicas geométricas que se articulam por meio de dobradiças e requerem a co-participação do espectador. Nesse ano, leciona artes plásticas no Instituto Nacional de Educação dos Surdos. Dedica-se à exploração sensorial em trabalhos como A Casa É o Corpo, de 1968. Participa das exposições Opinião 66 e Nova Objetividade Brasileira, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro – MAM/RJ. Reside em Paris entre 1970 e 1976, período em que leciona na Faculté d´Arts Plastiques St. Charles, na Sorbonne. Nesse período sua atividade se afasta da produção de objetos estéticos e volta-se sobretudo para experiências corporais em que materiais quaisquer estabelecem relação entre os participantes. Retorna para o Brasil em 1976; dedica-se ao estudo das possibilidades terapêuticas da arte sensorial e dos objetos relacionais. Sua prática fará que no final da vida a artista considere seu trabalho definitivamente alheio à arte e próximo à psicanálise. A partir dos anos 1980 sua obra ganha reconhecimento internacional com retrospectivas em várias capitais internacionais e em mostras antológicas da arte internacional do pós-guerra.
De 23 de agosto a 23 de outubro na Pinakotheke Cultural – Rio de Janeiro
https://pinakotheke.com.br/
Foto: Reprodução