Futebol não é futebol, é outra coisa.


No aniversário do ducentésimo trigésimo quinto an deiversário da Queda da Bastilha, o mundo ocidental acaba sua semana neste 14 de julho de 2024 exaustivamente cansada por um suposto atentado à vida do líder do partido responsável por destruir ou tentar destruir as democracias pelo mundo, Donald Trump e o partido republicano

O mesmo que ontem, 13 de julho foi amplamente comentado pelo seus novos interesses (https://oglobo.globo.com/mundo/eleicoes-eua/noticia/2024/07/13/martir-sa-trump-usa-narrativa-de-perseguido-politico-para-lucrar-com-venda-de-produtos-que-vao-de-acoes-a-biblias.ghtml) vendedor de indulgências.

Após terem roubado a quase completude da mídia, dos jornais, das redações, dos memes e das atenções da população ocidental, ou seja, a extrema direita, ou a ultra direita, ou melhor dizendo, o ultraliberalismo (usando a definição econômica para a representação política onde Trump é capitão da Nau) tomou de assalto a pauta do mundo com um tiro de raspão na orelha do figurão Trump numa cidade chamada “Outjudge”, no estado da Pensilvânia, num comício dos Republicanos.

E vejam só, apenas uma semana depois que a França obteve um resultado político desastroso para a extrema direita, levando uma virada eleitoral da Frente Popular de maneira incrível , capitaneada pelo partido “França Insubmissa” do líder político Jean-Luc Mélenchon.
Fazendo com que o “Bleu Blanc Rouge”, a expressão alusiva à bandeira francesa, com a cor azul ao mastro, o branco intermediário e a cor vermelha de fora seja novamente ostentado pela sua definição histórica, que é datada de 1794, exatamente por ter sido em comemoração a queda do poder absolutista na França.

E dentre os inúmeros e importantes fatos emblemáticos da época, a Queda da Bastilha é o referente histórico.
Trump é um bilionário investidor que detém múltiplas empresas mundo afora, mas lógico, principalmente nos Estados Unidos, além de sua terra natal, o maior mercado do mundo onde uma das regiões que Donald tem muito dinheiro investido é no Estado da Flórida, que tem como capital, Miami.

Miami, ou Miami Beach, como queiram, é também o útero do sonho consumista da burguesia Latinoamerica e paraíso das grávidas das classes B e C para comprar carrinhos para seus futuros bebês.

Assim como toda a Florida, terra da Disney e do seu principal astro , o cão vassalo Pateta, Miami também foi vítima de cliques e holofotes durante o dia todo de hoje, uma vez que foi lá a final da Copa América de Seleções de futebol.

De um lado a Argentina, de Milei, e do outro, a Colômbia, de Pietro.

A Argentina é atual campeã mundial de futebol e detém o melhor jogador, Lionel Messi, que recebe, pelo seus dribles e gols, incríveis e obscenos mais de 100 milhões de reais por ano. Algo em torno de 287.000,00 reais por HORA.
De acordo com o jornal Estado de São Paulo (https://www.google.com.br/amp/s/www.estadao.com.br/amp/esportes/futebol/messi-maiores-salarios-das-americas-npres/)

Lionel Messi joga pelo clube Inter Miami.
E veja só a contradição, Milei, presidente da Argentina, trouxe como um último dado econômico ao mundo acerca do seu país, um déficit orçamentário no primeiro trimestre de 2024, de aproximadamente 5.1% do PIB, informação que traz a revista exame em matéria publicada (https://www.google.com.br/amp/s/exame.com/economia/argentina-entra-em-recessao-tecnica-apos-pib-cair-51-em-meio-a-medidas-de-milei/amp/). Ele mesmo, um Direitista convicto, um ultraliberal, um rompedor de velhos sistemas, um ungido, um detentor das forças messiânicas do povo que sempre pregou ser a solução de todos os males mas que não passa de um golpista enganador, o mais puro suco da concentração da renda e fomentador da injustiça social.

Mas veja como é mais impressionante a coisa, Miami, da ostentação e do consumo é também um celeiro político republicano e fica a apenas 370km de Havana, capital de Cuba, país socialista.

Não preciso dizer quem ganhou o jogo da final da Copa América porque futebol não é futebol, é outra coisa. E nesse caso, futebol é só produto. Incauto é aquele que acha que a alegria está no sucesso dos jogadores que o representam desfilando com seus carros importados e suas modelos internacionais super bem intencionadas, ou que a felicidade futebolística vem dos troféus levantados, ou a salvação viria de Saf’s ou grandes contratações.

Mentira, veja só como em outro local, distante séculos de Miami, onde o futebol detém absolutamente um conceito tradicional.
De velhas e clássicas tradições que foram se perdendo por aquele outro tipo de ver futebol.

Teve um tempo que o pessoal desse local chegou até a achar que futebol era aquilo lá. Mas não. Os anos foram impiedosos com seus destinos e o clube daquela terra conheceu a dor do fundo do posso, do degredo e da humilhação por rebaixamentos e rebaixamentos, em diversas campeonatos, dilapidação do seu patrimônio cultural e histórico, ao acharem que futebol era escolher quem é o melhor, ou aquele que chegaria mais longe, ou a equipe que ganhasse mais títulos, ou o sucesso da compra e venda dos seus prodígios.

Nada disso, futebol é outra coisa.
Nesse lugar, chamado Capanema, onde os moradores são, em sua maioria, fruto dos trabalhadores ferroviários do Estado e seus filhos e netos constituíram um berço do samba na capital curitibana, os habitantes e os torcedores que ali permanecem, velando ininterruptamente seu clube, o Paraná Clube Brasil, que levou mais de 120.000 pessoas em 6 jogos, mesmo estando na segunda divisão do campeonato paranaense. Jogando contra clubes de jovens empresários que se arvoram hoje em dia a também fazer futebol, porque para estes, futebol é só mercadoria. Não é uma tradição.

O Paraná Clube que, assim como a França, é tricolor, se reinventou na data de hoje.
Dia 14/07/2024 foi a Queda da Bastilha para os tricolores da margem do Rio Belém. Foi nesse dia que provamos para o Brasil inteiro, mas principalmente pra nós mesmos, que futebol não é futebol. É outra coisa. É uma doença militante e apaixonada de uma torcida que carrega o clube.

Para os paranistas, assim como eu, futebol é mais importante que troféus, camisas, contratos, arenas, Safs ou religiões. Ser tricolor do Capanema é ser um libertador desse futebol moderno, escroque e janota que tem coragem de tomar de 7 a 1 em casa e não ter vergonha de sair na rua com seus sorrisos espelhados, seus cabelos descoloridos e seus brincos de diamantes. Desse futebol em que o jogador com 17 anos tem mais orgulho do contrato com o Real Madrid do que vestir as cores do seu país.

Futebol nunca será isso para paranistas da Vila Capanema. Futebol é coisa séria e deve ser defendida e lutada, por isso está na frente da família, que deve ser protegida e cuidada, e puro isso, na retaguarda.

Não se trata do que é o que mais importante, se trata de uma cultura.
E o Bleau Blanc Rouge do rio Belém provou que sem sacrifício não se chega a lugar algum. Sem sofrimento não se arvoram ao tempo uma cultura que consiga se estabelecer nos corações e mentes de cada paranista que nossa torcida é nosso maior patrimônio. Aliás, toda torcida é o maior patrimônio do seu time. Porque é feito de gente.

E gente não tem preço.
A alegria da filha do Messi não é maior que o da filha do Lilliu, centroavante do Paraná que fez dois gols hoje. Tenho certeza disso. Assim como a alegria de quem compra uma lancha não é maior do quem quem compra uma bicicleta. Não se trata disso.
Futebol não é futebol, é outra coisa.

E o tricolor voltou e tá querendo demais e tão dizendo por lá que o Capanema vai virar baile!

P.S. o autor não trata nesse texto a respeito da final da Eurocopa que também ocorreu nesta mesma data, entre Espanha e Inglaterra, porque não comenta disputa entre colonizadores.

Felipe Magal Mongruel
Curitiba 14, de julho de 2024