Irwin Allen. Das séries de tevê ao “cinema catástrofe”


Realizador americano tem história antes e depois dos seriados que o consagraram nos anos 1960’s

Irwin Allen (1916 -1991) foi um típico caso de profissional de cinema. Nasceu em NY e estudou Jornalismo e Propaganda na Universidade de Columbia. Escreveu, dirigiu e apresentou um programa na rádio KLAC, que o tornou conhecido. Foi colunista da Hollywood Merry-Go-Round. A partir de sua coluna, criou para a televisão um programa sobre o mundo do cinema, de suas celebridades, com o mesmo nome. Estava então já envolvido com a sétima arte.

Nos meados dos anos 1940 experimentou a criação de uma agência de redatores para rádio e cinema. Um sucesso. Nos 1950 começa seu trabalho como produtor, em parceria com Irving Cummings Jr., com Frank Sinatra e Groucho Marx na comédia musical Double Dynamite (Isso Sim que É Vida, 1951), com direção de Cummings. Allen não foi creditado. Groucho Marx veio a se tornar grande amigo e futuro parceiro.

Em 1952 escreveu e dirigiu o documentário O Mar Que Nos Cerca (The Sea Arround Us, 1953). Também assina a produção. O filme conta com um até então inédito e belíssimo trabalho de filmagem submarina. Allen é premiado com o Oscar de 1954.

Depois vieram O Milagre da Vida (The Animal World, 1956), A História da Humanidade (The Story of Mankind, 1957) — última vez em que se reuniram os três irmãos Groucho, Harpo e Chico —, O Grande Circo (The Big Circus, 1959) e O Mundo Perdido (The Lost World, 1960).  Este último inspirou Jurassic Park décadas depois, baseado no livro de sir Arthur Conan Doyle.

A década de 1960 Irwin Allen ingressa de uma vez no universo da televisão. Após as produções de Viagem ao Fundo do Mar (1961) e Cinco Semanas num Balão (1962), pela 20th Century Fox, Allen é imediatamente convocado pela ABC (American Broadcasting Company) para a criação e realização de uma série baseada no primeiro. Em 1964, estreava Viagem ao Fundo do Mar, a série. Na trama, uma tripulação comandada pelo Almirante Nelson (Richard Basehart) e o Capitão Crane (David Hedison) embarca em aventuras que vão desde lutas contra monstros extraterrestres até questões existenciais e pessoais, passando pelo universo da Guerra Fria, de conflitos contra soviéticos e cubanos. Um dos destaques é o marujo Kowalski, interpretado pelo ator Del Monroe. Tudo se passa dentro do submarino Seaview, mergulhado em águas profundas e desconhecidas. A série ficou no ar até 1968.

A partir daí foram ao ar Perdidos no Espaço (1965-1968, com a colaboração de Groucho Marx e Red Skelton, sob pseudônimo de Van Bernard), o Túnel  do Tempo (1966-1967), Terra de Gigantes (1968-1970). Ainda um posterior A Família Robinson, em 1975, no ar até 1976. Todos tinham algo em comum: colocavam um grupo de seres humanos em situações limite, que iam desde uma dupla perdida no tempo e na história da humanidade, até uma família vagando no espaço sem conseguir voltar pra casa, bem como outro grupo familiar remetido a um universo onde toda a humanidade é gigante, sendo os minúsculos protagonistas massacrados.

As séries de TV de Irwin Allen o consagraram como o maior produtor e criador desse gênero de argumento para a ficção científica. Argumentos um tanto diferentes do Jornada Nas Estrelas (Star Trek) criado por Gene Roddenberry, outro grande sucesso na mesma época.

Irwin Allen já cravara seu nome na história da tevê e do cinema, mas sua trajetória não pararia por aí. Ele ainda adentraria a década seguinte sendo considerado o maior desenvolvedor de um outro gênero que marcaria: o “cinema catástrofe”. São dele O Destino do Poseidon (The Poseidon Adventure, produção, 1972) e Inferno na Torre (The Towering Inferno, produção, 1974), O Enxame (The Swarm, direção, 1978) e Retorno Dramático ao Poseidon (Beyond the Poseidon Adventure, direção, 1979). Sem dúvida alguns dos maiores clássicos do catastrofismo setentista, que ficaria marcado por títulos como Aeroporto, Terremoto e Tubarão (este de ninguém menos que Steven Spielberg). Allen receberia o título de “mestre dos desastres”, por isso.

Típico caso de profissional de cinema, teve seus últimos dias na Califórnia, onde faleceu em 1991, aos 75 anos. Recebeu doze indicações para o Oscar. Ganhou cinco. Não há quem não tenha visto alguma coisa de Irwin Allen. A menos que esteja perdido no tempo ou no espaço.

Imagens: reprodução

Ouça. Leia. Assista:

The Fantasy Worlds of Irwin Allen (book trailer)

The Fantasy Worlds os Irwin Allen (livro, em inglês)

Perdidos no Espaço – Episódio Piloto (1965)

Túnel do Tempo – Episódio 10 completo