Criada em 1989, loja especializada em histórias em quadrinhos formou gerações de leitores e tornou-se referência no cenário nacional. Hoje, luta contra o conservadorismo e para sobreviver ao modelo Amazon.
Parece intencional o dia de fundação e comemoração do aniversário da Itiban Comic Shop: a data de 12 de outubro, que marca o Dia das Crianças, reflete o estilo livre, independente, contestador e lúdico da primeira loja especializada em histórias em quadrinhos de Curitiba — e uma das primeiras do Brasil. Neste ano, em que a Itiban comemora 30 anos, soma-se à lista que desenha sua personalidade a palavra “resistência” — frente a pensamentos totalitários que querem censurar ideias, como vimos recentemente na Bienal do Livro do Rio de Janeiro, e a empresas globais que colocam o lucro à frente de tudo e todos. “O livro adquiriu seu significado maior: não de mero consumo, mas de transformação. Não é um objeto descartável, mas eterno”, avalia
Selma Mitie Taketani Utrabo, sócia da Itiban e curadora da Bienal de Quadrinhos de Curitiba.
No entanto, se os tempos são críticos, a história da loja sempre se baseou na união.
Desde aquela entre seus fundadores, o casal Luiz Francisco Lima Utrabo e Mitie, que descobriram a paixão em comum por HQs, até a de seus frequentadores. “A Itiban se tornou um refúgio para pessoas que tinham um gosto por histórias em quadrinhos, em uma época antes da Amazon e de e-commerces. Há, ainda, artistas e teóricos que começaram a frequentar a loja como leitores e se tornaram grandes autores”, relembra
Luiz Francisco ou Xico, como é conhecido. Com uma curadoria especializada (inclusive em literatura) e proprietários que já se tornaram personagens de Curitiba, a Itiban consolidou-se como um verdadeiro lugar de troca, de boas histórias e para se alimentar de cultura.
Hoje, a loja — vencedora do Troféu HQMix de Melhor Ponto de Vendas em 1998 — oferece de livros infantis a HQs de super-heróis, passando pelos quadrinhos autorais mundiais e nacionais à literatura, ao mangá, ao RPG e aos card games — sem falar do ItiClub, o clube de leitura mensal e gratuito, e os bate-papos periódicos com autores de todo o Brasil. Em três décadas, a loja acompanhou o ápice de ícones dos quadrinhos, como as revistas Chiclete com Banana e Animal, a produção de fanzines até o desenvolvimento da HQ autoral nacional. “A diversidade é a principal marca do quadrinho atual. Além disso, com a autopublicação e a possibilidade de venda e distribuição da própria criação, essa arte se tornou democrática. Desde o acesso do leitor até quem está criando e publicando”, avalia a dupla.
No entanto, em um cenário de adversidades para pequenas livrarias independentes, por que persistir? “Porque não somos outra coisa a não ser isso. Seria como um agricultor perder a própria terra. A Iitban nos permitiu viver com completa liberdade e gerar um valor para a sociedade: explorar um comércio que retorna cultura para as pessoas. As HQs têm uma valia incomensurável, no sentido de promover a humanidade”, finalizam.
A comemoração dos 30 anos da Itiban, que acontece neste sábado (12), a partir das 11h, contará com uma série de atrações: Itiban Esmaga (preços especiais em produtos selecionados); as bandas Paraguaya e Giovanni Caruso, Rabo de Galo e Ska The Men; cartaz com arte de Marcello Quintanilha; venda exclusiva dos artistas do coletivo Cidade Fria; chopes, quitutes e cafés do Manifesto Café; e, claro, bolo de aniversário por Vegan Vendetta.
Serviço:
Festa Itiban 30 Anos
Sábado, 12 de outubro de 2019.
Das 11h às 22h.
Na Itiban Comic Shop: Av. Silva Jardim, 845.
Entrada franca