A Bolívia, assim como o vizinho Peru, tem uma vasta cultura alimentar e grande variedade de batata, ingrediente muito presente na dieta de sua população. Contando com altas cordilheiras, o país não possui faixa costeira, porém abriga um dos lagos mais extensos da América do Sul, o conhecido lago Titicaca (Titiqaqa em quéchua), que se estende até o lado peruano. Ele serve à população e aos visitantes, entre diversas utilidades, especialmente para o abastecimento alimentar de trutas, um peixe muito apreciado na região e comum nas festas de Nossa Sra. da Candelária de Copacabana ou simplesmente Virgem de Copacabana, bem como nas festas que celebram a independência do país no agitado agosto boliviano. E por falar em tradições e festas é também em agosto, no dia primeiro, que a Bolívia homenageia Pachamama (“Mãe Terra”, em quéchua), divindade máxima das regiões andinas relacionada à fertilidade e à terra.
A culinária boliviana difere de acordo com a região, sendo que nas cidades da região ocidental ou andina os pratos têm por base o milho, o queijo, a carne suína, ovinos, batatas e pimentas. Já nas cidades do vale ou região central, a culinária utiliza verduras, batatas, milho e carne bovina. Nas proximidades do Titicaca, alguns peixes, em especial a truta. Já na região oriental os pratos são à base de arroz, mandioca (aipim), carne bovina, queijos, aves e batatas.
No dia a dia, o que não falta nas principais refeições são as sopas servidas de entrada no almoço e/ou jantar. Da Amazônia boliviana aos Andes passando pelo Altiplano a culinária do país tem como elementos comuns a batata, o milho, a mandioca, o arroz, diversos tipos de pimentas e carnes. E por falar em proteínas, há alguns anos a carne da lhama (já consumida pelos povos Incas) voltou a ser utilizada na culinária do país. Apesar de parecer estranho seu consumo, trata-se de proteína animal de baixo teor de gordura, macia e saborosa.
Mas como falar da Bolívia, terra dos Incas, sem mencionar a importância do sal? Isso mesmo, o país possui o maior deserto de sal do mundo, o Salar de Uyuni. A atividade contribui com a economia país, seja através do setor turístico, ou por meio da extração, do beneficiamento artesanal e da exportação do sal de mesa, da qual Brasil é o maior comprador.
Como nos demais países da América Latina, a comida está presente em todas as celebrações e festas. Sejam elas de cunho privado ou coletivo, o povo boliviano sabe valorizar seus produtos. Muitos dos seus ingredientes nativos viajaram o mundo seguindo para outros continentes através daqueles que visitaram suas terras e seus povos autóctones séculos atrás, como é o exemplo do maní (ou amendoim como conhecemos aqui) levado por viajantes e navegadores de outrora.
Nos dias de hoje, o imigrante boliviano longe de seu país, como qualquer outro imigrante, precisa fazer escolhas e substituições em sua culinária por conta da diferente agricultura e cultura alimentar de onde se encontra. Todavia, ainda assim é possível apreciar uma culinária rica em sabores e cores, dos pratos simples aos festivos. Das deliciosas salteñas bolivianas, passando por uma sopa de maní e, com sorte, já que muitos produtos só são encontrados em feiras ou festas bolivianas tradicionais, poder provar um mocochinche (bebida feita com pêssego desidratado, cravo, canela e açúcar) são convites à cultura boliviana em qualquer parte do mundo, inclusive em Curitiba.
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SOPA DE MANÍ
POR CARMEN ESPEJO
(Serve 4 pessoas)
Ingredientes
- 1kg músculo bovino cortado em cubos
- 500g amendoim cru descascado
- 1 cebola inteira
- 1 cenoura inteira
- ½ cebola picada
- 1 cenoura picada
- 1 tomate cortado em cubos
- 300g macarrão (massa curta, tipo penne ou fusilli) ou arroz branco
- 10g orégano
- Sal a gosto
- 1 colher rasa de colorau
- ½ maço de folhas de salsinha picadas
- 50g batata palha
Modo de preparo
Deixe os amendoins crus de molho em água até que consiga soltar a casca. Descasque todos.Bata no liquidificador e coloque para cozinhar com o caldo de carne.
Em uma panela de pressão, coloque os cubos de músculo junto com os legumes inteiros, cubra o todocom água e cozinhe por 30 minutos, além do início de pressão.
Quando o amendoim atingir uma consistência cremosa comece a refogar em uma panela debordas altas as verduras picadas. Adicione o creme de amendoim e os cubos da carne. Cozinhe por mais 30minutos e então adicione o macarrão ou o arroz (à sua preferência) e siga cozinhando até atingir o pontoda massa ou do arroz.
Para servir, polvilhe as folhas de salsinha picadas e adicione abatata palha.
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Sobre Carmen Espejo
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Carmen Espejo é boliviana de La Paz. Mora em Curitiba há 33 anos.Chegou a Curitiba a passeio em 1986, apaixonou-se pela cidade e acabou ficando aqui. Trabalhou na área de contabilidade e atualmente dedica-se a feiras gastronômicas da cidade, com comida de sua terra natal. |
OUÇA:
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PORQUE COMIDA É CULTURA!
Equipe: Lai Pereira (coordenação geral), Marcelo Empinotti (curadoria), Meg Mamede (pesquisa histórica e textos), Juana Dobro (fotografias e entrevistas), Rádio Cultura de Curitiba (edição e veiculação)
PROJETO REALIZADO COM O APOIO DO PROGRAMA DE APOIO E INCENTIVO À CULTURA – FUNDAÇÃO CULTURAL DE CURITIBA E DA PREFEITURA MUNICIPAL DE CURITIBA.