LATINIDADES CURITIBANAS – VENEZUELA

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Assim como Brasil e Colômbia, a Venezuela realizou significante intercâmbio cultural e alimentar com europeus e africanos em decorrência da expansão marítima originada na Península Ibérica. Mas o país possui também forte ligação com as culturas ameríndias que povoaram aquele território antes da chegada de navegadores e viajantes estrangeiros. Os traços indígenas não estão somente nas feições de sua população miscigenada, mas se apresentam na cultura alimentar do venezuelano que tem no milho, na mandioca, na batata, entre outros alimentos, a base da sua culinária.

Além desses insumos, podemos destacar também o uso de pimentas, banana, grãos, tubérculos, cana-de-açúcar, coco, carnes e diferentes variedades de aves e peixes dos quais derivam receitas com sabores únicos.

Da culinária venezuelana tem grande destaque a Arepa (um tipo de pão feito de milho ou farinha de milho) presente na mesa de toda população, uma expressão nacional sem a qual as refeições não são completas. Mas nem só de Arepas se faz essa cozinha tão rica em sabores e aromas. A Hallaca, o PabellónCriollo, aCachapa, as empanadas de farinha de milho, o Cazabe (ou casabe, um pão sem fermento feito de farinha de mandioca), o Asado Negro, o Sancocho ou Hervido de galinha, carne ou peixe (o nome varia de acordo com a região e ingredientes), são todos pratos reconhecidos e preparados inclusive por quem vive longe de sua terra.

Herança do cultivo e manufatura da cana-de-açúcar, a Venezuela tem em sua cultura alimentar muitas sobremesas e doces, entre os quais alguns de origem indígena como: oMajarete, o Tequiche e outros doces a base de papelón (uma espécie de rapadura, produto que assim como melaço, o Brasil também assimilou quando da introdução da doçaria portuguesa no país). Além desses, outros doces caseiros como a Torta Bejarana, a Torta de Jojoto (de milho tenro ou jovem), e ainda a Torta de Pão ou de Banana são bons exemplos da dulceríacriolla venezuelana.

A costa venezuelana é paradisíaca com suas muitas ilhas e uma culinária rica em receitas à base de peixes e frutos do mar. Do peixe frito ao vinagrete de frutos do mar, passando pelos caldos ou sopas de peixe e mariscos, a dieta alimentar das populações litorâneas é riquíssima e muito saborosa. Há espaço ainda para a uma variedade de peixes de água doce, como os encontrados ao longo do Rio Orinoco, o maior do país (segundo pesquisas, a partir de 2013 o consumo dessas proteínas tem diminuído consideravelmente devido à crise que o país atravessa; a sardinha tem sido, dos peixes, o mais consumido pela população do país).

Seja nas celebrações coletivas ou nas festas de família, a comida está sempre presente. O povo venezuelano tem na cultura alimentar um elo com seus ancestrais e seus valores. As muitas festas do calendário anual contemplam de celebrações religiosas a festas pagãs. Muitas vezes a mistura do catolicismo herdado dos espanhóis com os diferentes ritos africanos e indígenas revela as tradições de um país cuja cultura é resultado de muitas influências. E nesse clima festivo a população além de desfrutar de pratos e sabores que variam de acordo com cada região, celebram suas memórias e identidade, reafirmando a importância da união entre os povos e a esperança, mesmo em tempos difíceis.

 

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MAJARETE

POR SAMUEL OSORIO

(Serve 4 pessoas)

Ingredientes

  • 200ml leite de coco
  • 100ml leite integral
  • 300g leite condensado
  • 200g rapadura ralada
  • 100g coco ralado
  • 2 palitos de canela
  • 20g canela em pó
  • 150g farinha de milho “PAN” (milho branco sem glúten pré-cozido e desidratado)
  • Uma colher de chá rasa de sal

 

Modo de preparo

Aqueça o leite com os palitos de canela a fogo baixo. Misture a frio o leite de coco, farinha PAN e coco ralado. Quando o leite iniciar fervura, adicione a mistura. Continue a cozinhar o todo em fogo baixo. Coloque a rapadura, o leite condensado e a pitada de sal. Siga mexendo em fogo lento até atingir a consistência de polenta mole (quando raspa e consegue ver o fundo da panela). Estenda o cozido em uma travessa e deixe esfriar em temperatura ambiente. Quando perder o calor, cubra com plástico filme e leve à geladeira. Antes de servir, polvilhe o coco ralado e a canela em pó.

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Sobre Samuel Osorio

 

 

Danny Samuel Osorio Páeznasceu no estado Barinas – Venezuela e é formado em Educação Física em seu país de origem. Chegou ao Brasil em 2016, por questões da situação econômica na Venezuela. Desde que chegou a Curitiba trabalha como auxiliar de cozinha. Tem como meta imediata validar seu diploma para ter estudos superiores aprovados no Brasil. E com seu envolvimento com a cozinha, assumiu sua nova profissão e pretende mostrar sempre as comidas e a cultura de seu país. É integrante da ALAG – Associação Latino-Americana de Gastronomia em Curitiba.

 

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PORQUE COMIDA É CULTURA!

Equipe: Lai Pereira (coordenação geral), Marcelo Empinotti (curadoria), Meg Mamede (pesquisa histórica e textos), Juana Dobro (fotografias e entrevistas), Rádio Cultura de Curitiba (edição e veiculação).

 

PROJETO REALIZADO COM O APOIO DO PROGRAMA DE APOIO E INCENTIVO À CULTURA – FUNDAÇÃO CULTURAL DE CURITIBA E DA PREFEITURA MUNICIPAL DE CURITIBA