LENTE NEGRA – Zumví: um quilombo visual


Lázaro Roberto captou a ‘reafricanização de Salvador’, embalada por Gil; agora, corre para salvar 30 mil fotos. Em 1990, Lázaro se uniu aos fotógrafos Adelmar Marques e Raimundo Monteiro. Juntos,  fundaram o Zumví Arquivo Fotográfico, com o lema “fotografar hoje para o futuro”

Nascido no Fazenda Grande do Retiro, bairro de Salvador (BA), e filho de um estivador e de uma lavadeira, Lázaro Roberto, 64, diz que é do tempo em que pessoas negras não colocavam as mãos em máquinas fotográficas. Na década de 1970, viver deste ofício era sinônimo de status e para quem tinha poder aquisitivo. Sua realidade era bem outra. Após passar pelo grupo experimental de artes, a rota de sua vida mudou. Ele largou o trabalho na gráfica e passou a se aventurar pela produção de imagens para preservar a memória da capital baiana.

De lá para cá, Lázaro registrou marcos da história na cidade, como a visita das lideranças sul-africanas, Nelson e Winnie Mandela, em 1991. Após ficar preso por 27 anos por sua luta contra o regime do apartheid, sistema de segregação racial sul-africano, Mandela visitou o Brasil um ano após a sua liberdade e reuniu uma multidão de cerca de 150 mil pessoas.

Lázaro é idealizador da Zumví Arquivo Fotográfico, um acervo extenso da cultura e do movimento negro na Bahia composto por imagens dele e de outros fotógrafos negros, como Jonatas Conceição e Lúcio Flávio, além do cineclubista Luiz Orlando. Enquanto continua a registrar o cotidiano da população negra em Salvador, ele tem pela frente o que diz ser um dos maiores desafios de sua carreira: digitalizar mais de 30 mil fotogramas para garantir o acesso à memória às gerações futuras.

“A criação do Zumví foi a nossa resposta ao que víamos na cidade. Nós queríamos criar a nossa própria história, a nossa própria memória no pós-abolição”, diz.

Ao longo do tempo, outros fotógrafos também passaram a colaborar e a doaram parte de suas obras ao acervo da iniciativa. Entre os colaboradores, estão Rogério Santos, Jonatas Conceição, Lúcio Flávio e o cineclubista Luiz Orlando. Atualmente, ele gerencia a iniciativa com seu sobrinho, o historiador José Carlos Ferreira. São cerca de 30 mil imagens.

https://www.zumvi.com.br/

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 Reprodução

Fonte: https://www.uol.com.br/ecoa/reportagens-especiais/pelas-lentes-lazaro-roberto-e-testemunha-ocular-do-movimento-negro-na-ba/#cover

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Foto de capa: Reprodução site Zumví