Entre chuvas e calor escaldante, teve início a quarta edição do curso de Carnaval do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do Paraná, conhecido como “MST no Carnaval”. O evento começou nesta segunda-feira (17) na capital Curitiba e conta com a participação de jovens de todas as regiões do estado, promovendo um ambiente de aprendizado e celebração da cultura popular.
O objetivo do curso é inserir os jovens na cultura do samba e no universo das escolas de samba, aliando essa vivência à formação política. A programação inclui oficinas de percussão, agitação e propaganda, escrita criativa, aulas sobre música e política no Brasil, além de ensaios com a escola de samba Leões da Mocidade. Ao final do curso, os jovens têm a oportunidade de tocar e desfilar na avenida.
Uma imersão na cultura carnavalesca
Durante os dias de formação, os 20 participantes do curso mergulham no universo carnavalesco, explorando seu papel como instrumento de resistência e transformação social. Para Celio Andrei Schmidt, integrante da coordenação do MST Paraná, a iniciativa é um processo contínuo que fortalece a juventude do movimento e sua conexão com as linguagens artísticas e culturais.
“O curso é um processo e não um evento. Ele começa lá nos cursos de música e desemboca no curso de carnaval e no trabalho com a Leões. Para nós, do MST, é muito importante porque, além de agregar a juventude e outras gerações, também promove a inserção em experiências artísticas”, destaca.
Emily Natalia Paz, moradora da comunidade Mariele Vive, em Palmas, também ressaltou a importância do curso. “Antes de vir, eu nunca tinha parado para pensar no que é samba. Aqui, aprendi que samba é muito mais que barulho, é história, é luta, é paixão. O curso é uma ponte incrível entre campo e cidade”.
Unidos da Lona Preta: do campo à cidade
A conexão do MST com o samba não é recente. A Unidos da Lona Preta surgiu há 20 anos, em São Paulo, como uma necessidade das batucadas em atividades do movimento. No Paraná, sua consolidação ocorreu durante a Vigília Lula Livre, em 2018, e, no ano seguinte, integrou-se à cena carnavalesca curitibana ao colaborar na confecção de fantasias da escola Leões da Mocidade.
Desde então, a iniciativa cresceu e culminou na criação do curso “MST no Carnaval”, cuja primeira edição ocorreu em 2020. Para Juliana Barbosa, professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e jurada do Estandarte de Ouro, a parceria entre o MST e as escolas de samba reforça a coletividade e a identidade cultural brasileira. “A cultura do MST tem muito a ver com a cultura do samba. É sobre formação, coletividade e resistência”, afirma.
Programação e desfiles
Nos próximos dias, os participantes vão consolidar os aprendizados e desfilar em duas escolas de samba. Confira a agenda:
- 01/03 – Desfile com a escola Leões da Mocidade
- 02/03 – Desfile com a escola Vai na Fé
- 03/03 – Apuração dos desfiles
O curso “MST no Carnaval” reforça a força da cultura popular e sua capacidade de unir diferentes territórios e realidades em uma mesma batida.