Evento celebra paixão dos curitibanos pelas HQ’s e graphic novels, reunindo artistas, adeptos, expositores e editores no MUMA durante quatro dias
O retorno no pós-pandemia de um dos eventos mais legais de Curitiba, a Bienal de Quadrinhos, sentirá o peso das mãos das mulheres. Uma tríade feminina de curadoras, uma homenageada há 40 anos no topo de sua profissão, uma convidada internacional que abalou Paris, coletivos de meninas demarcando territórios e a presença das melhores nas HQ’s do sexo para lá de forte são as chamarizes desta sétima edição que promete lotar (de volta) todos os ambientes do Museu Municipal de Arte, o MUMA, ao lado do Terminal do Portão, durante os quatro dias do feriadão, de 7 a 10 de setembro.
Mesmo com a presença majoritária de homens no mercado editorial de HQ’s, será impossível tirar a marca feminina da Bienal de Quadrinhos em 2023. Começando pela escolha das curadoras. São elas: Mitie Taketani, sócia-fundadora da icônica livraria Itiban Comic Shop, em Curitiba, responsável pela formação de gerações de adeptos das HQ’s; Maria Clara Carneiro, pesquisadora, produtora, tradutora e professora do Departamento de Letras Estrangeiras Modernas, da UFSM; e Dandara Palankof, jornalista e mestre em comunicação, tradutora, escritora, editora e agitadora cultural.
A presença de uma empresária, uma acadêmica e uma jornalista na cabeça das escolhas da Bienal de Quadrinhos deste ano lança um olhar particular e diferenciado sobre as amplas e diversificadas questões suscitadas pelo tema proposto: “Resistências, existências: quadrinhos e corpos plurais”. Numa área das artes visuais tradicionalmente dominada por homens, o esforço da Bienal de Quadrinhos é ousado e desafiador. Ainda mais depois de uma pausa de cinco anos durante a qual a humanidade sobreviveu a uma pandemia devastadora e de um longo período de obscurantismo na política brasileira.
Resistir e continuar existindo, portanto, são atos necessários e urgentes. É este o recado assinado no release a seis mãos pelas curadoras: “A retomada dos encontros é essencial para manter a esperança cada vez mais viva. É num espaço de trocas como a Bienal que nascem novas reflexões e perspectivas, não só sobre aquilo a que se dedica o evento e a expressões que nos são tão caras, mas que também transbordam para nossas vivências como um todo, que nos fortalecem para todas essas outras batalhas que precisamos travar”. Resistência e existência são essenciais neste momento.
Como na resistência e existência da arte propriamente dita da grande homenageada com o Prêmio Claudio Seto deste ano, a letrista Lilian Mitsunaga, que aplicou suas criações em quase tudo que se possa imaginar em HQ’s no Brasil. Dos quadrinhos da Disney e da Turma da Mônica às graphic novels de Batman e de Sandman. Em mangás de sucesso, como Rurouni Kenshin, Evangelion, Vagabond, Slam Dunk e Cavaleiros do Zodíaco. E em obras de autores como Will Eisner, Kuniko Tsurita, Crumb, Mutarelli, etc, etc, etc. É gigante a obra de Lilian iniciada em 1980.
Ou como na resistência e existência políticas, próprias dos grandes autores, da convidada internacional em destaque, a quadrinista francesa Chantal Montellier (foto em destaque), pioneira das HQ’s em seu país onde é reconhecida pelo forte engajamento político e radical luta contra a opressão, em especial, contra a violência policial. Dona de uma vasta obra, com mais de 30 títulos, assinou colunas em dezenas de jornais, revistas e publicações francesas ao longo dos últimos 50 anos. Sua obra mais conhecida é Social Fiction, uma compilação de três contos publicados entre 1976 e 1983 na revista Métal Hurlant.
A Bienal de Quadrinhos, porém, não é monotemática ou restrita ao tema proposto. No fundo, no fundo, é sempre uma celebração da antiga paixão dos moradores de Curitiba pelas HQ’s e graphic novels, cujo marco temporal pode ser considerado o dia 15 de outubro de 1982, data da fundação da Gibiteca de Curitiba. Primeira na América Latina (e considerada por alguns estudiosos como a primeira do mundo aberta ao público), a biblioteca especializada tem formado público e revelado grandes criadores. Em quatro décadas, Curitiba se consolidou como uma referência nacional na produção e criação de quadrinhos.
E, claro, a cidade realiza um dos eventos independentes mais bacanas da área no país, que acontece desde 2011 e está em sua sétima edição. A Bienal de Quadrinhos de Curitiba vai contar com diversos eventos ao longo dos seus quatro dias. Mais de 40 artistas convidados vão participar de conversas, oficinas, entrevistas, cursos e palestras em seis ambientes do MUMA – Sala de Oficinas, Cine Guarani, Palco Ocupa, Casa de Leitura Wilson Bueno, Auditório Antonio C. Kraide e Praça do MUMA. A efervescente feira de quadrinhos Muvuca contará com estandes (mesas, na verdade) de mais de 150 criadores brasileiros e estrangeiros.
Haverá ainda sessões corridas de autógrafos com dezenas de autores e quadrinistas, lançamentos de livros, duelos de HQ’s, festas em bares da cidade na sexta, sábado e domingo, uma inédita rodada de negócios entre editoras e artistas e oito exposições temáticas em quatro espaços do MUMA – Sala 1, Sala Célia Neves Lazzarotto, Galeria Cinema e Sala Domício Pedroso. Na Gibiteca de Curitiba, no Solar do Barão, acontecerá a exposição Prata da Casa. Tudo isso é de graça e com entrada livre. A programação completa e demais serviços da Bienal de Quadrinhos estão no perfil @bienaldequadrinhos, do Instagram.
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Bienal de Quadrinhos de Curitiba
De 07 a 10 de Setembro
Museu Municipal de Arte – MUMA
Av. República Argentina, 3.430, Portão
Ao lado do Terminal do Portão
Informações:
https://www.instagram.com/bienaldequadrinhos/
Imagens de Divulgação:
Foto 1 – Chantal Montellier
Foto 2 – Fachada do MUMA
Foto 3 – Lilin Mitsunaga
Foto 4 – Logomarca da Bienal de Quadrinhos