O contrário de si

WagnerRengel

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Se eu me chamasse Raimundo
Vindo lá do sertão

Um poço sem água no fundo
Teria calos nas mãos

A terra rachada gritando
A brasa cortando a noite

Se eu me chamasse Raimundo

O contrário do sertão
Aqui, na terra da chuva que mata

Também há calos nas mãos
Mas, eu não me chamo Raimundo

Falta-me a inspiração

Terra gigante
Meu país

Toma todo um continente
Faz fronteira com o mar

Mas, o povo é quem sente
Tem muito pra melhorar

Seu Raimundo, meu vizinho
Nascido em Pernambuco

Assim como meu bisavô
Veio de lá um menino

Nunca perdeu o sotaque
E quando lembra de lá

Da fome que já passou
É água salgada na vista

Nos olhos de sonho e dor.

 

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