“Ou tem revolução ou fica tudo como está”


Inquieta. Acordo mil vezes no meio do sono. Nervos tensos. Mais alguém nesse barco? Justo euzinha que sempre gostei de viver intensamente e sou resistente às dificuldades, me sinto agora muito (muito mesmo) desanimada. E olha que sou daquelas que dão risada na riqueza e na pobreza, na alegria e nas desgraças. Talvez pareça banal, mas está muito difícil sorrir nesse caos (e não falo apenas da situação política mas sobretudo falo disso). Hoje os momentos são duros, a roda da história parece ter outra história e os caminhos não conduzem a uma realidade paupável (pareço pessimista?). Não tenho domínio de sociologia ou qualquer outro estudo que me dê embasamento para traçar um perfil do ser humano. Só gostaria de expor um pouco o que tenho pensado e sentido. – Mas (…) quem é você para isso? -, gritam os conhecedores do mundo. Não sou porra nenhuma. Só desabafo ou desabo. Falo por essas vias mas gostaria de estar quebrando muros nas ruas e reagindo a essa situação caótica que vivemos,vide os franceses incansáveis guerreiros que não têm se calado diante das barbáries políticas e econômicas. A mobilização dos “coletes amarelos” começou em protesto contra um imposto sobre o combustível para desestimular a utilização de transporte individual. Embora o governo tenha voltado atrás na cobrança, a pauta de reivindicações se ampliou motivada pela queda no poder aquisitivo, a pressão fiscal e pela busca por reformas para construir instituições mais representativas. O movimento tem representantes de várias correntes políticas. Entretanto por estes lados até ativismo virou produto de dominação/ capital e já não se sabe mais em que chão pisar. Além de tudo moro no interior (selvagem) e aqui pouco se sabe de lá e acolá, apenas se diz se talvez amanhã chove, chove? Cultura é privilégio. Chega de lamúrias. Tenho pensado muito nessa frase que nem sequer lembro mais onde li, mas ficou na caixola: “ou tem revolução ou fica tudo como está”. Quê fazê? Uma missão delicada e difícil — transformar homens e mulheres dominados por ideias velhas e preconceitos, em combatentes conscientes e prontos a destruir as forças físicas e morais de exploração e opressão do inimigo. E crianças também precisam ser transformadas, através da educação, para que dominem a ciência e se tornem agentes transformadores da sociedade (sem distinção de classes, pois conhecer a realidade também é sabedoria). Nada de doutrinação como se vende essa ideia, mas conhecimento. Saber para compreender. E acho, mais que tudo, que esse impulso deve vir de nós mulheres, como agentes transformadoras, para que o obscurantismo e tradições que condenam a mulher à passividade se invertam e tragam a vitória contra a sociedade exploradora que escraviza a mulher. Essa força é nossa, que sempre soubemos resistir e lutar. E o momento é esse: revolução. Revolução que liberta os explorados e oprimidos, liberta a iniciativa das massas e transforma esse mundo que está todo errado. Mundo do esperto ao contrário, como já nos disse a profetisa “Estamira”. Estamira é um documentário brasileiro, dirigido por Marcos Prado, que conta a história de uma senhora com distúrbios mentais, que vive de um lixão na Grande Rio. Em seus acessos nervosos, ela vocifera contra Deus, contra a alienação dos seres humanos pela religião e pelos remédios (“dopantes”), contra uma suposta sociedade de controle, estruturada para calar a voz e os pensamentos dos rebeldes. Muito coerente, por sinal. Mas, voltando ao contexto principal do texto, a libertação da pátria é também a luta pela emancipação, cada vez maior, da mulher e de todas as minorias que carregam sacrifícios na alma (homossexuais, transexuais, negros, pobres, trabalhadores, explorados, pessoas sensíveis, pessoas boas, socialistas e sonhadores). Sim essa luta é nossa. Estamos cansados (eu estou), mas o momento é de união – aquele papo de dar as mãos e saber que estamos todos juntos não pode morrer, tem que existir na prática. União e revolução. Como começar? Começamos reagindo, por meio do diálogo com a população sobre o respeito e a necessidade de defender direitos, de empregar minorias e de proporcionar oportunidades igualitárias. Desta forma, podemos ajudar as pessoas a não buscarem socorro no oportunismo religioso. Reavaliem e ponderem, o momento pede união. A revolução já começou. A resistência é protagonista.