Para combater o impacto ambiental, SENAI CETIQT traz soluções para o uso de resíduos alimentares e têxteis


O planeta está em alerta vermelho”, disse o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres.

O relatório realizado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas traz números alarmantes sobre o aquecimento global até 2030, com a crescente poluição, disrupção climática, ausência de biodiversidade e o risco da falta de alimentos e recursos necessários para sobreviver. Segundo a ONU, a degradação da natureza já impacta o bem-estar da humanidade, com a fome afetando 811 milhões de pessoas pelo mundo. Para ajudar a evitar e minimizar essas catástrofes para os próximos anos, o SENAI CETIQT – Centro de Tecnologia da Indústria Química e Têxtil trouxe alternativas relacionadas com resíduos alimentares e têxteis durante evento de sustentabilidade realizado na “Semana da Responsa”, que aconteceu entre 20 e 24 de setembro, seguindo as diretrizes da Campanha da Responsabilidade Social do Ensino Superior Particular.

Durante o evento, Michelle Reich, professora do SENAI CETIQT, falou sobre desenvolvimento sustentável, iniciativas alimentares e a importância do ciclo de vida do produto. “Na economia circular, reinserimos materiais e produtos na cadeia, pensando no uso em cascata, por exemplo, uma doação de roupas ou um brechó. Dessa forma, o produto tem longevidade e sustentabilidade, diminuindo a pressão na extração e no descarte. Na indústria têxtil, já é usada a fibra da soja, proveniente da pasta residual da soja”, comentou. Esse reaproveitamento de alimentos evita o desperdício e ainda traz nutrientes para uma alimentação saudável, como reforçou Helena Mendonça, Chef de Partie no ClubMed Rio das Pedras. “Eu tive a oportunidade de criar alguns pratos com essa pegada em uma gastronomia de luxo. Por exemplo, o osso ou espinha do peixe, que iriam para o lixo, nós reaproveitamos para produzir outra fonte de alimento, como molhos ou caldos”, explicou.

Outra questão levantada durante a palestra foi o impacto ambiental causado pela indústria da moda que, apesar de gerar milhões de empregos, é a segunda maior poluidora e a maior geradora de resíduos industriais. “Precisamos minimizar os impactos dos resíduos durante as etapas industriais até o consumidor final. A disposição inadequada do descarte em aterros causa redução da qualidade de saúde em comunidades próximas, além da degradação desse ambiente. Algumas soluções para isso são a reciclagem, o upcycling (técnica para aproveitar o resíduo e aumentar o valor agregado do produto) e rastreabilidade (verificação de todas as etapas por onde a peça produzida passou, deste a etapa de fibras)”, pontuou Elisa Esteves, pesquisadora do NUSEC – SENAI CETIQT. “É possível nutrir e vestir a partir dos resíduos. Mas precisamos fazer a nossa parte. Não teremos uma segunda chance ou um planeta B. O momento é agora”, finalizou Cristiane Souza, professora do SENAI CETIQT e mediadora do evento.

O SENAI CETIQT

O Centro de Tecnologia da Indústria Química e Têxtil – SENAI CETIQT – é formado pela Faculdade SENAI CETIQT, Instituto SENAI de Inovação em Biossintéticos e Fibras e Instituto SENAI de Tecnologia Têxtil e de Confecção. Criado em 1949, é hoje um dos maiores centros de geração de conhecimento da cadeia produtiva química, têxtil e de confecção, setores que juntos geram cerca de 11,9 milhões de empregos no país.

Foto: Reprodução – Têxteis Técnicos: Como o grafeno pode interferir positivamente para o desempenho dos tecidos