A longa caminhada de 2005 não teve final feliz. O fim, na verdade, esteve longe de ser o ideal. Sem poder jogar em seu estádio, o Atlético precisou mandar sua partida no Beira-rio. Não conseguiu ter um bom resultado, ficando apenas no empate em Porto Alegre.
Mas, em compensação, estava tudo aberto. Infelizmente, o São Paulo aproveitou-se melhor da final por decidir e de sua vantagem de jogar em casa e goleou o Rubro-negro. 4 a 0. Consagrou Rogério Ceni, Paulo Autuori, Luizão, Amoroso e outros grandes jogadores, ofuscando o brilhante e guerreiro esquadrão atleticano pouco inspirado naquela noite.
O jogo
Naquele 14 de julho de 2005, uma quinta-feira, Autuori mandou a campo o mesmo time do jogo de ida: Rogério Ceni; Fabão, Diego Lugano e Alex; Cicinho, Mineiro, Josué, Danilo e Júnior (Fábio Santos); Amoroso (Diego Tardelli) e Luizão (Souza).
Já o “Delegado” Antônio Lopes promoveu duas alterações na escalação: André Rocha no lugar de Alan Bahia e Evandro no lugar de Fernandinho. Assim, o Furacão foi a campo com Diego; Jancarlos, Danilo, Durval e Marcão (Rodrigo); Cocito, André Rocha (Alan Bahia), Fabrício e Evandro; Lima (Fernandinho) e Aloísio.
A partida começou intensa, com o Tricolor paulista tendo a primeira oportunidade logo aos 7 minutos em cabeçada perigosa de Lugano. O Rubro-negro teve uma boa chance aos 11, quando Fabrício cobrou falta da intermediária e encontrou Alex, que cabeceou próximo à meta de Rogério Ceni.
Mas o time da casa logo abriria o placar. Aos 16, Lugano cobrou rapidamente uma falta no meio campo para Danilo, que escorou para Luizão; o atacante devolveu de calcanhar para o camisa 10 que arrematou; Diego deu rebote, a zaga não afastou e Danilo tocou para Amoroso conferir de cabeça. 1 a 0.
O São Paulo mostrava mais disposição dentro de campo. Os jogadores vibravam por cada disputa de bola vencida, empurrados também pela força da torcida, que não parou de cantar em nenhum momento no Morumbi.
Aos 42, o Tricolor teve uma oportunidade para ampliar ainda na primeira etapa. Amoroso lançou Danilo, que bateu cruzado. A bola foi perto do gol de Diego.
O Furacão teve uma chance de ouro para empatar. Já nos acréscimos, o árbitro marcou pênalti de Alex em Aloísio, apesar da falta ter sido fora da área. Fabrício cobrou, na trave de Rogério Ceni.

O fim da linha
O São Paulo voltou para o segundo tempo decidido a garantir o título. Já aos 7 minutos, conseguiu ampliar o marcador. Em cobrança de escanteio de Cicinho pela direita, Fabão subiu mais que todo mundo e cabeceou forte, no ângulo, para fazer 2 a 0.
Lopes ainda tentou mudar o jogo com duas alterações, tirando Marcão e Lima para as entradas de Rodrigo e Fernandinho, aos 15 minutos. Não adiantou. Aos 25, Amoroso driblou o marcador pela direita, cruzou, Diego não conseguiu cortar e Luizão completou para fazer 3 a 0. O tira-teima da época, no entanto, mostrava o atacante impedido por 75cm. Mas a arbitragem não viu, e o São Paulo pôde comemorar o tento e o título praticamente garantido.
Ainda houve tempo para o quarto. Diego Tardelli recebeu passe de Mineiro, dentro da área, aos 44 minutos do segundo tempo, chutando sem chances de defesa para Diego. Era o começo da festa são-paulina, o fim do sonho atleticano.
Conclusão
Milhares de coisas poderiam ser diferentes naquele ano. O palco do jogo de ida da final poderia ser outro, o Atlético poderia ter entrado com outra postura no jogo de volta da libertadores, mas, acima de tudo o que deu errado, o Atlético poderia nem ter tido a chance de errar e ter azar numa final de Libertadores.
Lembremos que o Atlético, até então, jamais havia passado das oitavas de final da Libertadores;
Para chegar nas oitavas de final sofreu, com três treinadores diferentes comandando a equipe em algum momento; quase foi eliminado e teve de contar com uma combinação de resultados para chegar no mata-mata.
Só então, deslanchou. Poderia ter ficado nas penalidades diante do Cerro Porteño,, com o artilheiro da competição àquela altura, mas resistiu. Eliminou o Santos com muita autoridade, calando a Vila Belmiro, e não deu chances ao Chivas de Guadalajara, avançando à grande final.
Os vencedores que contam as histórias. E o Furacão, de um time que poderia ser um mero figurante naquela Libertadores, não foi o grande vencedor, mas pôde contar muita história por aí.