Hoje vou falar sobre sementes crioulas. Para isso vale esclarecer, em primeiro lugar, o que é crioulo. Se procurarmos nos buscadores da internet encontraremos facilmente a referência aos negros nascidos na América. Mas se buscarmos no dicionário*, vamos encontrar o que realmente nos interessa. Crioulo é o (indivíduo) nativo de certa região. Nosso “indivíduo” neste tema são as sementes.
Assim, entendemos que sementes crioulas são aquelas nativas da sua região. E, se não nativas, ao menos respeitam os povos que habitam o planeta Terra em igualdade e biodiversidade. Ou seja, todos nós, seres humanos, que invariavelmente precisamos de alimento para viver (não falo de sobrevivência aqui; vale um doutorado inteiro para o assunto).
Segundo a FAO (Food and Agriculture Organization), “as sementes crioulas são variedades desenvolvidas, adaptadas ou produzidas por agricultores familiares, assentados da reforma agrária, quilombolas ou indígenas, com características bem determinadas e reconhecidas pelas respectivas comunidades.”**
Desta sorte, as sementes crioulas são hoje chamadas também de sementes da resistência. Sabe por quê? Porque a indústria de alimentos mundial está cada vez mais monopolizando a comida, nos tirando o saber e as decisões sobre o alimento. E as sementes crioulas, assim como os saberes de como plantar, criar e produzir alimentos, com nossas próprias mãos, vêm sendo incorporadas pelos grandes conglomerados multinacionais em prol da rentabilidade de gordas contas bancárias de poucos, ao invés de privilegiar e focar na distribuição de renda mundial, cada qual com sua parcela justa na economia solidária. Infelizmente, a pobreza de muitos é altamente rentável para o bolso de poucos. Deixo como referência aos mais interessados o filme “Food Inc.”. (“Comida S/A”), com direção de Robert Kenner, de 2008.***
Essa relação com o alimento é tão primária que até nos esquecemos da sua importância. Alimentar-se não é simplesmente encher a barriga. O alimento de verdade proporciona o bem estar integral das pessoas com o ambiente em que se vive.
Então, para você que tem um quintal, você que tem uma rocinha, você que tem um terreno grande ou bem grande mesmo, deixo aqui um desafio. Que tal tentar plantar sementes que a tua terra gosta? Tenta não plantar o que te dão pronto, com royalties e mutações genéticas. O bom de verdade é o que naturalmente dá!
*XIMENES, Sérgio. MINIDICIONÁRIO DA LÍNGUA PORTUGUESA. São Paulo: Ediouro, 2000. 284p.
**http://www.fao.org/family-farming/detail/en/c/454148/
***https://pt.wikipedia.org/wiki/Food,_Inc.