“Sob a Influência”. Uma coletânea pra lá de inusitada


Banda gaúcha Tom Bloch ganha um álbum-tributo realizado pelo site Scream&Yell. A produção é do jornalista Leonardo Vinhas, que convocou grupos/artistas de todas as regiões do país

Mesmo que o leitor seja uma pessoa razoavelmente atenta à música, seus movimentos, grupos e subgrupos, é muito grande a chance de ela nunca ter ouvido falar de uma banda chamada Tom Bloch. Tampouco do site especializado Sream&Yell.

E ao leitor atento que podemos chamar de ouvinte categoria “avançado-máster”, que conheceu o grupo porto-alegrense fundado em 1999 (muito longe do boom do rock gaúcho os 1980’s, dentro de uma maior exposição da cena indie dos 2000, mas desde sempre “longe demais das capitais”) certamente a notícia de que um álbum-tributo ao Tom Bloch foi lançado no ano da graça pandêmica de 2021, o pegaria com surpresa tal e qual avassaladora.

Mas estamos falando do jornalista e produtor Leonardo Vinhas. Daí tudo é possível. Ao longo de sua década ativa, a banda contou com nomes conhecidos do cenário independente, como Iuri Freiberger (hoje produtor renomado), os guitarristas Gustavo Mini (Walverdes) e Michel Vontobel (Video Hits), e o band-leader,  cantor e compositor Pedro Veríssimo. Tom Bloch tocou em festivais Brasil afora e influenciou artistas por todos os lugares. Esse foi o ponto de partida para a coletânea organizada por Leonardo Vinhas para o selo Scream&Yell.

“A Tom Bloch foi uma banda gaúcha que esteve ativa entre 1999 e 2009. Lançou apenas dois álbuns, ambos epônimos, mas suas canções e seus shows marcaram história no cenário midstream brasileiro. Sua leitura contemporânea do rock com influências de MPB, trip hop e música eletrônica era um caso raro de banda rocker brasileira sintonizada com seu tempo. Ou mesmo à frente dele”, escreve Leo Vinhas.

Sob a Influência, nome tirado da faixa de abertura do segundo disco da Tom Bloch, conta com artistas de São Paulo (Érika Martins, Fabio Cardelli), Rio Grande do Sul (Andrio Maquenzi), Rio de Janeiro (Kassin, Vivian Benford, Albaca), Pará (Ana Clara, Meio Amargo), Paraná (O Fio), Distrito Federal (Beto Só, Filipe Vianna, Animal Interior) e Bahia (andre L.R. mendes), todos entregando releituras pessoais e apaixonadas das canções da banda.

“A Tom Bloch olhava para os lados e para a frente, e quase nunca para trás. Suas referências sonoras estavam no presente ou no passado imediato, e a vontade era de fazer um som que não soasse datado já de largada. E era pop – simples nas harmonias, sofisticado nos arranjos, impecável na maioria das melodias”, define o produtor.

O disco está disponível nas plataformas de streaming, mas também pode ser baixado no site Scream&Yell. A versão para download traz como bônus “Thalassocracy”, versão de uma canção de Frank Black que a Tom Bloch gravou para um tributo canadense ao músico norte-americano, e que nunca havia sido lançada.

O álbum começou a ser produzido no final de 2019, mas a pandemia do coronavírus ameaçou inviabilizar seu lançamento. Porém, as gravações foram retomadas na segunda metade do ano passado, e o álbum foi concluído. A capa do artista gráfico Pedro Bopp resgata a iconografia p&b e de inspiração arquitetônica da banda, e a masterização do produtor paranaense Rodrigo Stradiotto acentua a sonoridade singular do álbum – como haveria de ser em um projeto que homenageia uma banda que consolidou um som único e cuidadosamente construído.

Leonardo Vinhas é jornalista, escritor e produtor cultural. Em mais de 20 anos de carreira, já passou por publicações das editoras Globo, Abril, Escala, Símbolo, New Content e outras, tanto como colaborador quanto em cargos executivos. Foi também coordenador de Operações de Imprensa para o Comitê Organizador da Copa do Mundo FIFA 2014 e dos Jogos Olímpicos Rio 2016. Produziu nove álbuns, todos lançados pelo selo e site Scream&Yell, com o qual colabora desde 2000. Seu último livro, Acamara de Aramaca (uma investigação das tradições do Baixo Sul da Bahia), foi lançado em março de 2020 pela editora Barro de Chão.

Scream&Yell é um site sobre cultura pop em atividade desde o ano 2000. Começou como uma fanzine em papel ainda nos anos 1990, e foi um dos primeiros espaços de cultura pop numa web ainda incipiente. Hoje tem uma média de 50 mil visualizações por mês, e traz novidades sobre literatura, cinema, quadrinhos, e acima de tudo, boa música. Enquanto selo, já lançou tributos a Milton Nascimento, Belchior, Engenheiros do Hawaii, Paralamas do Sucesso, Alceu Valença e Walter Franco, além de ter disponibilizado discos inéditos de artistas como Marcelo Perdido, Transmissor, Walverdes e Natália Matos, entre outros. Lançou ainda diversas coletâneas internacionais, como os álbuns de inéditas Sem Palavras (volumes I e II), apenas com artistas instrumentais, e as compilações de integração latino-americana Somos Todos Latinos e Brasil También Es Latino, todos com a participação de artistas de vários países.  www.screamyell.com.br/site

Ouça. Leia. Assista:

Baixe Sob a Influênciahttp://screamyell.com.br/site/2021/03/29/ouca-os-primeiros-singles-do-tributo-a-tom-bloch/

Assista alguns clipes de Tom Bloch: https://www.youtube.com/results?search_query=tom+bloch

Leia 100 Maiores Àlbuns do Rock Gaúcho, livro.

Imagens: divulgação

Assessoria: Leo Vinhas ([email protected])