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Não tem saída. Nenhuma. Todos os seus gestos estão errados. Seus argumentos não condizem com a realidade.
Não alcança o ponto. Deixa cru.
Não sabe do ponto. Queima.
Toda palavra que sai de sua boca volta para si como uma revelação de um furo.
E sempre está errado, falho, confuso.
Ele não aprende que está sempre errado e insiste e repete tudo de novo.
E tudo de novo recebe a suas palavras de volta como grandes bobagens.
Quem lhe devolve diz que é um narcísico, que nada se pode dizer a ele que se afoga, se quebra num espelho disforme. E esse diagnóstico de revista Cláudia é a pá de cal para qualquer tentativa de se erguer em alguma verdade que seja sua, que ecoe no mundo e lhe retorne afirmando: “eu sou isso, além de não saber nada, além de não fazer nada direito, além de não amar ninguém, além de toda sua estupidez, eu sou isso”.
Ele não aprende.
Não aprende que não pode esperar de quem quer que seja, algum eco de sua verdade.
O segredo, ainda não revelado, é que esperar é um gesto passivo, inerte e temporal.
Ele não sabe disso e fica marcando.
Ele não sabe que sua saída para esta vida decadente é neste exato erro que lhe anunciam o tempo todo.
Ele não sabe que toda vez que espera alguma palavra do outro, só encontra seu próprio pesadelo: o débil.
Ele não sabe que sua saída é não esperar mais e seguir em frente sem medo da solidão.
Ele já é sozinho e em seu íntimo sabe que o débil não existe senão neste eco que vem de fora. É um segredo que não conta para ninguém. É um segredo que guarda enquanto espera.
Espera talvez a coragem, talvez a força, talvez a inspiração ou a loucura lhe tomar por completo.
Enquanto ele espera, segue levando porrada de todos os lados, afinal, é narcísico, frágil e confuso.
Para si, o que ele é, não tem a menor ideia. Talvez, por esperar de fora esta resposta, nunca se tenha feito esta pergunta.
Talvez também, não lhe interesse saber quem é. Ele não sabe, mas o que interessa é saber o que faz, sem esperar,sem modelos e sem a verdade que sempre lhe faltará.
Seu nome? Pouco importa.
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